segunda-feira, 3 de agosto de 2015

"Eu sou o Pão da Vida" - Tema da reflexão do Papa, no Angelus

2015-08-02 
Rádio Vaticana

Neste domingo, o Papa apareceu, como habitualmente, ao meio dia, à janela do Palácio Apostólico que dá para a Praça de São Pedro, para rezar juntamente com os numerosos fiéis ali reunidos a oração do Angelus.
Antes porém  Francisco fez uma breve reflexão sobre o Evangelho da missa deste domingo, décimo-oitavo do tempo comum.
Recordou que depois da multiplicação dos pães – conforme conta o Evangelista João - as pessoas puseram-se à procura de Jesus e  acabaram por encontra-Lo em Cafarnaum.  Jesus compreendeu logo o motivo de tanto entusiasmo da pare do povo e declarou-o  claramente:
“Vocês estão à minha procura não porque vistes sinais, mas porque comestes daqueles pães e vos saciastes”.
Na realidade – disse o Papa – aquelas pessoas procuram o pão material que no dia precedente tinha aplacado a sua fome. Não compreenderam que aquele pão partido para muitos, era expressão do amor do próprio Jesus. Deram mais valor ao pão do que ao seu doador.
Perante esta cegueira espiritual – prosseguiu o Papa – Jesus põe em evidencia a necessidade de ir para além da satisfação das necessidades imediatas, das próprias necessidades materiais, embora sejam essenciais.  O Filho de Deus convida a ir para além das necessidades imediatas, do comer, do vestir, do sucesso, da carreira, para se olhar para algo de incorruptível, e exorta:
“Empenhai-vos não para a alimentação que não dura, mas para a alimentação que permanece para a vida eterna e que o Filho do homem vos dará”.
Jesus quer fazer compreender, como estas palavras – frisou o Papa – que a fome física da pessoa humana, traz consigo algo de mais importante, que não pode ser saciado com a comida ordinária.
“Trata-se de fome de vida, de eternidade que Ele só pode saciar, na medida em que é “o pão da vida”.
O Papa chama também a atenção para o facto de Jesus não eliminar a preocupação da procura do pão quotidiano, mas recorda simplesmente que “o verdadeiro significado da nossa existência terrena está na eternidade, e que a história humana com os seus sofrimentos e as suas alegrias deve ser vista num horizonte de eternidade, isto é, naquele horizonte do encontro definitivo com Ele. E esse encontro ilumina todos os dias da nossa vida. Se nós pensarmos nesse encontro, nesse grande dom, os pequenos dons da vida, mesmo os sofrimentos e as preocupações serão iluminados, na esperança  deste encontro”.
Jesus é pão vivo descido dos Céus, apresenta-se a nós como único e verdadeiro significado da existência humana – frisou ainda o Papa, acrescentando que é o próprio Jesus a explicar o significado da existência do ser humano:
“Eu sou o pão da vida, quem vive em mim não terá fome e que crê em mim não terá sede, nunca!”
O Papa indicou nisto uma referência à Eucaristia, o grande dom que sacia a alma e o corpo. “Encontrar e acolher em nós Jesus, ‘pão da vida’, dá significado e esperança ao caminho tortuoso da vida. Mas este “pão da vida” é-nos dado para que possamos, por nossa vez,  saciar a fome espiritual e material dos irmão, anunciado o Evangelho onde quer que seja, mesmo nas periferias existenciais. Com o testemunho das nossas atitudes fraternas e solidárias em relação ao próximo, tornamos presente Cristo e o seu amor por meio dos homens”
O Papa concluiu dizendo que temos muita necessidade de Deus na nossa existência quotidiana! Tanto nos dias de trabalho e de preocupações, como nos dias de férias. O Senhor convida-nos a não esquecer que, se por um lado é justo preocupar-se com o pão material, por outro, para consolidar as forças, é ainda mais necessário potenciar a nossa fé em Cristo, “pão da vida” que sacia o nosso desejo de verdade, de justiça e de consolação.
E o Papa pediu à Virgem Maria para nos apoiar na procura e na sequela do seu Filho Jesus, o “pão verdadeiro” que não se corrompe e dura pela vida eterna.
Depois do Angelus o Papa saudou os peregrinos vindos de várias partes do mundo, de modo particular alguns jovens espanhóis e italianos, e uma peregrinação vinda a cavalo de Florença. É a arce-confraternidade denominada “Parte Guelfa”.
Por último, o Papa recordou que este domingo a Igreja recorda o Perdão de Assis. É um chamamento  - disse – a aproximarmo-nos do senhor no Sacramento da misericórdia e da comunhão. Há gente que tem medo de aproximar-se da confissão, esquecendo que lá não encontramos um juiz severo, mas o Pai imensamente misericordioso. É verdade quando vamos ao confessionário sentimos um pouco de vergonha. Isto sucede a todos, a todos nós – sublinhou o Papa. Mas devemos recordar que também esta vergonha é uma graça que nos prepara ao abraço do Pai que sempre perdoa, sempre perdoa tudo” – concluiu o Papa desejando a todos bom domingo, bom almoço e pedindo o favor de não nos esquecermos de rezar por ele. 
(DA) 
(from Vatican Radio)

O PERIGO DA IDEOLOGIA DE GÊNERO

Vários Bispos do Brasil estão se manifestando fortemente na Internet contra o absurdo plano do governo federal de aprovar a introdução da famigerada “Identidade de Gênero” na educação das crianças brasileiras. O governo não conseguiu aprovar esta medida absurda no Plano Nacional de Educação, e agora empurrou- a para os municípios aprovarem pelas Câmaras de Vereadores.
A Proposta de Lei de Diretrizes, Metas, Estratégias dos Planos Estadual e Municipal de Educação (2015-2025), com base na Lei 13.005/2014, pretende incluir a “ideologia de gênero” nas escolas e a possibilidade de ensinar as crianças, a partir dos três anos de idade, que não existe diferença entre homem e mulher, um absurdo diante da natureza.
“A ideologia de gênero, ensina a liberdade de cada um construir a própria identidade sexual; algo que destrói o ser humano em sua integralidade e, por conseguinte, a sociedade, cuja célula-mãe é a família”.
Recentemente, Papa Francisco nos alertou quanto a esse perigo, dizendo que: “A ideologia de gênero é contrária ao plano de Deus; é um erro da mente humana que provoca muita confusão e ataca a família”. E lamentou “a prática ocidental de impor uma agenda de gênero a outras nações por meio de ajuda externa”. Chamou isso de “colonização ideológica”, comparando-o à máquina de propaganda nazista. Segundo ele, existem “Herodes” modernos que “destroem e tramam projetos de morte, que desfiguram a face do homem e da mulher, destruindo a criação.”
O ponto mais preocupante da Proposta é a estratégia de número 12.6, que defende o seguinte: “Garantir condições institucionais para o debate e a promoção da diversidade étnico-racial, de gênero, diversidade sexual e religiosa, por meio de políticas pedagógicas e de gestão específicas para esse fim”.
Leia também: Reflexões sobre a “ideologia de gênero”
Existem organizações nacionais e internacionais, como a ONU e outras, que querem destruir a família natural, constituída por um pai, uma mãe e seus filhos. Hoje um dos recursos mais perigosos para atentar contra a família é exatamente a “ideologia de gênero”. Ela ensina que ninguém nasce homem ou mulher e que todos devem construir sua própria identidade, isto é, seu gênero, ao longo de sua vida. Segundo os teóricos de gênero, cada um deveria ser identificado não por seu sexo biológico, mas pela identidade que ele constrói para si mesmo. Isso tem provocado modificações legais que ferem gravemente a dignidade do matrimônio, o respeito ao direito à vida e a identidade da família”.
A Identidade de Gênero, dizem os bispos, é uma forma da criatura subverter o plano do Criador, a partir de nossas escolas, repetindo o episódio bíblico da torre de Babel no qual os homens querem desafiar a Deus colocando-se no seu lugar (cf. Gn 11,1-9).
Se não há homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade divina. Assim, o filho, de sujeito jurídico que era, com direito próprio, passa agora necessariamente a objeto, ao qual se tem direito e que, como objeto de um direito, se pode adquirir.
A aprovação “ideologia de gênero” e da livre opção sexual em leis federais, estaduais ou municipais, obriga que nossas crianças deverão aprender que não são meninos ou meninas, e que precisam inventar um gênero para si mesmas. Para isso receberão materiais didáticos destinados a deformarem sua identidade. Sendo obrigatório por lei, os pais que se opuserem, poderão ser criminalizados por isso. Na Alemanha, e em outros países, já há pais que são detidos, porque seus filhos se recusam a assistir às aulas de gênero.
Assista também: Você já ouviu falar em Ideologia de gênero?
Por esta e outras razões, os católicos, sobretudo os vereadores, tem a obrigação moral, diante de Deus, de nossas crianças e da Nação, de não apoiar a aprovação desta lei desumana, anticristã e ofensiva ao Criador, pelas Câmaras de Vereadores dos municípios. Não permitamos que a ordem natural seja subvertida por meio de conteúdos antinaturais ministrados em nossas escolas.
Todo cidadão brasileiro, que respeita Deus e o homem, deve entrar neste combate à ideologia de gênero de teor “diabólico”, como tem declarado o Papa Francisco.
Alguns dos Bispos que já se manifestaram pela Internet:
Dom Philip Dickmans – Presidente do Regional Norte 3 da CNBB e Bispo da Diocese de Miracema do Tocantins
Dom Pedro Brito Guimarães – Arcebispo de Palmas
Dom Romualdo Matias Kujawski – Bispo da Diocese de Porto Nacional
Dom Giovane Pereira de Melo – Bispo da Diocese de Tocantinópolis
Dom Rodolfo Luiz Weber – Bispo da Prelazia de Cristalândia
Dom Antonio Keller – Bispo de Frederico Westfalia
Dom Pedro Carlos Cipollini – Bispo de Amparo
Dom Fernando Arêas Rifan – Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
Fonte: Cleófas

COMO A ESCOLA PODE ME AJUDAR A EDUCAR MEUS FILHOS?

Ao final da licença maternidade ou em qualquer outra época, conforme a decisão da família, a hora de escolher a escola dos filhos chega para todo mundo. Seja para o berçário, creche ou escola regular, nos deparamos com muitas dúvidas. Para amenizar esse processo, separei alguns itens que os pais devem observar ao escolher uma instituição:
1. Localização: pode parecer um item bobo, mas te garanto que no dia a dia, a localização da escola de seu filho pode te trazer alegrias ou transtornos inimagináveis. Se você trabalha fora e longe de casa, considere procurar uma escola nas proximidades do seu trabalho, pois te possibilitará estar junto à criança por um tempo a mais (mesmo que dentro do carro) além, de facilitar seu socorro em casos de febres repentinas. Agora, se você trabalha por perto, procure escolas próximas de sua casa e que estejam localizadas em ruas de boa circulação do trânsito, com facilidade para estacionar ou que tenham pista park, acredite, faz diferença!
2. Segurança: a segurança é um ponto a se considerar, sem dúvida! O fluxo de carros e pessoas que circundam as escolas é bem grande – logo, alvo para delitos. Além de seguranças na porta da escola, é interessante questionar a escola quanto as normas de retirada de alunos, como a escola procede e o que exige da pessoa que vem buscar a criança na ausência dos pais. Se não houver um procedimento coerente, descarte essa possibilidade e não coloque em risco a segurança do seu filho.
3. Pesquisa sobre o estabelecimento: Antes de fazer a visita ao estabelecimento, faça uma pesquisa na internet, se há reclamações, o que diz o site da escola e o tipo de propaganda que vincula. Uma vez, vi uma propaganda de uma escola que dizia – “trabalhamos com quantidade, por isso nosso preço é acessível” – a frase se referia ao preço das mensalidades e número de alunos, um verdadeiro absurdo, a propaganda já dizia que as salas eram lotadas e que não havia preocupação com o desenvolvimento pedagógico. Descartei na hora! E não esqueça de entrevistar pessoas que já possuem filhos na escola de interesse, você terá os melhores feedbacks.
4. Proposta pedagógica: mesmo não sendo professores, os pais devem pedir para que a escola fale sobre a proposta pedagógica. Na conversa, perceba coerências sobre o que está sendo dito e sobre o que foi ou será apresentado. Analise se a proposta condiz com sua vida familiar, você pode estar visitando uma escola com filosofia antroposófica, mas o que você quer mesmo é uma escola voltada para vestibulares. É muito importante para seu filho que você goste e confie na escola e que ela tenha os mesmos princípios que a sua família.
5. Espaço físico: ao visitar escolas, o que mais encanta ou desencanta os pais é o espaço físico. Devo dizer que conheço excelentes escolas que não possuem pisos de mármore ou ar condicionado nas salas. Mais que ambientes perfeitos, é necessário saber como os ambientes são utilizados e com qual frequência. Recentemente, conheci uma escola com uma biblioteca excepcional, porém, o trabalho realizado nela era medíocre. Espaços bonitos ou feios, é essencial que sejam seguros, bem arejados, bem iluminados (com boa incidência de luz natural) e principalmente limpos.
6. Cozinha ou similar: a cozinha e/ou lanchonete escolar são espaços pouco visitados pelos pais e que merecem atenção, principalmente se a criança faz suas refeições na escola. Observe a higiene do local, o armazenamento dos alimentos e utensílios. Pergunte sobre as compras que a escola faz e seus fornecedores. Observe o cardápio, se não indica que carnes sejam armazenadas às sexta-feira para serem servidas na segunda-feira, pois uma queda de energia no final de semana pode prejudicar a qualidade do alimento. Escolas que fornecem refeições devem apresentar cardápio assinado por nutricionista, alvará de funcionamento e coleta de amostras diárias de alimentos para análise, se necessário.
7. Quadro de professores: também pouco questionado pelos pais, mas de suma importância, é a situação dos professores da escola. Pergunte sobre o tempo médio de casa dos professores, graduações e quais os investimentos que a escola faz em formação deles. Se você encontrar um quadro de professores que muda constantemente, duas coisas podem estar acontecendo: baixo salário ou má gestão, sinais de alerta!
8. Comunicação: a comunicação entre escola e pais deve ser bem afinada. A agenda é o primeiro meio e seu uso é bem comum às escolas. Algumas instituições utilizam-se de e-mail marketing, área restrita para pais, torpedos e telefonemas. O recurso realmente é o de menos, o que importa é a qualidade da comunicação. Escola que liga para o serviço do pai para dizer que o filho não fez a lição na classe, não está cumprindo seu papel, ou você pai e mãe, liga para a escola para dizer que seu filho não escovou o dente antes de dormir?
9. Sistema avaliativo interno e externo: saber como a escola vai avaliar o desenvolvimento do seu filho é essencial para a interferência dos pais na vida dos filhos. Seja por relatório ou notas, o sistema avaliativo escolar reflete a qualidade dos serviços da escola e como seu filho está respondendo aos estímulos e conhecimentos a que está sendo exposto. Verificar os resultados de avaliações externas, como por exemplo, o ENEM, ajudam a qualificar os serviços da escola, embora não devam ser os únicos indicadores para se medir o sucesso ou fracasso de uma comunidade escolar.
Luciana Cairo
Fonte: Aleteia

sábado, 9 de maio de 2015

TRANSFORME SEU TRABALHO EM ORAÇÃO

O trabalho é sem dúvida a atividade essencial do ser humano. Além de oferecer o desenvolvimento dos talentos inerentes de cada pessoa, o trabalho também pode oferecer a possibilidade de sustentação financeira, a organização de um lar, e entre outras coisas, o aprimoramento de toda uma sociedade.
É importante reparar como o sentido de trabalho está intimamente ligado a natureza do homem e como a necessidade ou não de trabalhar não define a vontade humana de desenvolver-se e de desenvolver a sociedade através de seu empenho, seja ele manual ou intelectual. Para nós essa é uma das características do chamado de Deus ao trabalho como vocação de todos. É por isso que precisamos ainda observar que independente dos anseios do homem pelo trabalho, suas preocupações e projetos, ambições ou necessidades, o trabalho dentro da divina ótica deve ser sempre visto como uma dádiva e uma honra a ser valorizada, e por isso mesmo é triste pensar que são muitos os que não acreditam que é possível transformar o trabalho em momento de encontro com Deus.
Parece que na nossa atual sociedade existe uma crescente visão negativa acerca do trabalho e das duras penas que muitas vezes sofremos por sua custa. E é verdade que não obstante esse espírito de preguiça que paira no ar, adicionando as dificuldades de se encontrar um trabalho em nossas penosas realidades, pode parecer quase impossível enxergar na atividade profissional um momento para encontrar a Deus e a sí mesmo. Contudo, se estudarmos bem a escola dos santos, poderemos ver que sempre existe a chance de se transformar tudo pelo toque do amor. Como diria Madre Teresa de Calcutá, “não somos chamados para fazer grandes coisas, apenas pequenas coisas com grande amor”. Sendo assim, o trabalho visto como momento reservado para a perfeita plenificação da vocação humana, é sem dúvida fonte inesgostável de sentido e de paz já que o seu momento para estar unido com Deus acontece aí mesmo, nas aspirações do dia-a-dia.
São Josemaria Escrivá diria: “recebestes o chamamento de Deus para um caminho concreto: se meter em todas as encruzilhadas do mundo, estando tu partindo do teu trabalho profissional metido em Deus”.
Para o cristão, o trabalho deve ser visto como a oportunidade de cooperação entre o Deus criador e o homem senhor da criação. Além disso, o mesmo cristão pode enxergar na atividade profissional esse momento de oração e crescimento em virtude, já que é aí, nas rotinas do cotidiano que ele busca a perfeição lutando contra o desânimo, perigosa tentação, a preguiça, a desordem e a inconstância.
Visto assim o trabalho é seguramente uma escola de santidade já que é aí que o cristão vive o cansaço, a decepção, a humilhação e o sofrimento e tem ao mesmo tempo a possibilidade de viver o evangelho acrescentando em cada uma dessas situações que o próprio Cristo passou, as graças que Deus nos derrama sempre: esperança, fé e caridade. Aquele que sabe aproveitar o empenho do trabalho para crescer em virtude e santidade, pouco a pouco forja uma personalidade madura, um caráter sublime e cria a ocasião para testemunhar a dignidade restaurada por Cristo no homem, e a oportunidade de santificar-se no trabalho, santificar o trabalho e santificar os outros no trabalho, como diria São JoséMaria Escrivá.
Outra lição que Deus nos ensina em sua passagem por nós é que importa mais a quantidade de amor que se coloca em cada trabalho, do que a própria atividade em sí. Diria São José Maria Escrivá que “Deus escolheu uma profissão simples para nos dar entender que é o amor de Deus que dá transcendência as nossas ações” *. Humanamente falando, o trabalho de Jesus não foi o mais importante, não apresentava muitas perspectivas e nem possibilidades de carreira e crescimento diante do mundo, já que era um simples carpinteiro. Ele seguramente passou 30 anos acordando cedo, experimentando a sensação de sono e cansaço diário, rotina e monotonia, dia após dia.
Contudo Nosso Senhor amava seu trabalho diário e sabia que somente santificando o empenho de cada momento é que seria possível glorificar o Pai do céu. Tudo isso como Ele mesmo nos confirmaria depois, falando sobre a importância de testemunhar nossas atividades corriqueiras com perfeição, procurando oferecer ao próprio Deus esse empenho como oração palpável e concreta: “para que todos vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está no céu” (Mat 5,16).
Chegando neste momento poderíamos nos perguntar, o que são essas boas obras? Sem dúvida é fazer o que se deve, e estar no que se faz, como diria o já referido Santo. É necessário primeiro, que todos nós façamos e cumpramos cada um dos nossos deveres cotidianos, por mais chatos ou ingratos que possam parecer. Mas não apenas isso, porque seria tornar o trabalho uma rotina vazia e sem sentido, e é aí que Deus e a sua graça entra: estar no que se faz.
É preciso estar totalmente em cada pequena atividade do dia a dia, colocar-se totalmente com energia e vontade de cumpri-la com perfeição, oferecendo ao próprio Deus essa oportunidade de elevar o trabalho ao nível do sobrenatural. Chegar no trabalho no horário, realizar as nossas atividades com empenho e boa vontade, manter a concentração no que se faz, elevar o ânimo, oferecer ajuda quando o nosso trabalho já está terminado, sorrir quando se quer chorar para fazer o outro mais feliz entre outros atos de amor para consigo mesmo, com o próximo e com o próprio Deus é cumprir com perfeição essas boas obras.
Fazer do nosso ofício uma oração e das nossas ações profissionais, atos feitos na presença do Pai mostrará aos nossos irmãos de trabalho que Deus os quer, que os Ama e que os chama. Isso sim é ser um outro Cristo para aqueles que nos rodeiam. Quando Santa Terezinha do Menino Jesus descobriu que não havia diferença entre fritar um ovo ou orar, colocou tanto empenho e tanta perfeição em cada pequena atitude do cotidiano que aos poucos as outras irmãs do Carmelo começaram e enxergar nela uma verdadeira santa, um outro Cristo.
“Temos que ganhar o céu com os nossos afazeres profissionais” diria São José Maria. Inspirado pela Palavra de Deus que diz “se tiver qualquer defeito não o oferecereis, pois não seria digno Dele”(Lev 22, 20), este santo bem sabia que não teríamos outra chance de encontrarmos a Deus senão pelo trabalho e pela oração. E é lógico, para nosso querido Pai temos que oferecer sempre o melhor, mesmo dentro das nossas limitações, nos preocupando sempre de o fazê-lo com grande perfeição. Uma tarefa cumprida e impecável**, não pode senão gerar paz e tranquilidade na nossa alma.
Por fim peçamos a Deus que nos ensine que é o amor que converte o nosso trabalho em oração, esse mesmo Amor que é o próprio Deus em pessoa. O Espiríto Santo, hóspede da nossa alma, aquele que nos faz filhos de Deus, agente transformador, nos ajude nessa vivífica transformação. Que o nosso trabalho seja sinal visível da presença de Deus no mundo e momento profundo de nosso encontro com Jesus. Assim seja.
“Aquele que não encontra Deus no trabalho e vida ordinária, não encontra Deus em lugar nenhum”. S.José Maria Escrivá.
* Filhos de Deus, Francisco Fernándes-Carvajal, Ed. Quadrante.
** Amigos de Deus, Ed Quadrante.
Silvio L. Medeiros e Karen Fernandes
Fonte: Site Veritatis Splendor via Shalom

INICIATIVA SEXUAL DAS MENINAS SOBRE OS MENINOS: LIBERDADE OU VAZIO?


Três garotas de um caro colégio interno de Chicago, duas ricas e uma pobre, mas todas de famílias desestruturadas, decidem que estão cansadas de ser frágeis e exploradas pelos homens e resolvem forçar os garotos da escola a fazer sexo com elas, ameaçando-os com uma arma. O plano não funciona, elas ficam infelizes, sua amizade se rompe e as coisas começam a sair de controle, como é típico nesse tipo de filme.
O filme em questão é uma produção indy chamada “The Smokers”. Eu o vi faz alguns anos numa locadora e fiquei contente de que alguém ainda pudesse vê-lo, já que a maioria desses filmes tinha quase desaparecido. A história, acho eu, era para ser uma comédia, mas o filme evocava situações reais demais para ser engraçado: sabemos muito bem, afinal, que, ao nosso redor, existem centenas de milhares de jovens mulheres exatamente iguais às três garotas do filme: infelizes, confusas e desesperadas. E não dá para rir de jovens perdidas no escuro.
A busca de poder sexual por parte das meninas só mostrava o quanto elas eram impotentes. As duas que tiveram relações sexuais acabaram mal: uma ficou com uma aparente aversão pelo sexo e com a culpa de ter matado um garoto; a outra levou a culpa pelo assassinato cometido pela primeira. Seus atos sexuais tinham lhes dado pouco prazer e nenhuma alegria. A garota que não faz sexo no filme acaba enxergando o valor de um bom homem que se preocupa com ela; a narração no final sugere que ela se casa com ele e vive feliz para sempre.
Este filme é uma espécie de convite a pensar na virgindade. Poucos dias depois que eu o vi pela primeira vez, “The New York Times” publicou um artigo que elogiava, embora com um quê de ambivalência, as jovens mulheres sexualmente agressivas cujo sofrimento tinha sido exposto pelo filme. “Desde Sadie Hawkins, as adolescentes têm ido atrás e flertado com os meninos. Mas agora elas estão iniciando o contato mais íntimo, às vezes até mesmo o sexo, de uma forma mais agressiva, de acordo com os relatos de muitos psicólogos, editores de revistas e de outros adolescentes”, dizia a matéria do jornal, intitulada “Ela virou uma menina macho”.
Como normalmente acontece com a maioria dessas histórias sobre supostas tendências sociais, é difícil saber se isto é mesmo uma tendência e, caso seja, o quanto ela é significativa e a quais adolescentes ela se aplica. O autor da matéria citava declarações de adolescentes e exemplos da cultura pop, em particular da música, mas os dados estatísticos mencionados mostravam uma diminuição da atividade sexual na adolescência. Alguns dos adultos citados no artigo enxergavam nas jovens mulheres sexualmente expansivas uma expressão de “igualdade e confiança”, um dos maiores “frutos do feminismo”. Eles usavam com chamativa frequência a palavra “empoderamento”. Pessoas como Atoosa Rubenstein, editora da revista CosmoGirl, afirmou: “As mães disseram para as meninas entrarem no conselho estudantil, no time, no trabalho, e aquela mensagem de incentivo às conquistas se transformou em algo que passou a definir a vida inteira delas. E elas aplicaram isso a correr atrás dos garotos também”.
Mas a questão não se limita ao fato de as meninas assediarem os meninos por se sentirem confiantes o suficiente para isso. A questão envolve também o que esses adolescentes fazem em seus encontros. Atoosa Rubenstein responde: “Se é uma busca sexual ou um sintoma de queda, isso é uma coisa que cabe à garota”.
Cabe à garota… A escolha de realizar um ato que deixa consequências profundas e indeléveis do ponto de vista moral, espiritual, emocional, social e, geralmente, físico deve caber a uma criança que não é considerada competente para votar, beber ou decidir se quer ou não quer ir para a escola. Se essa escolha resultar em um bebê, no entanto, ela é considerada competente para matá-lo. Em muitos Estados norte-americanos, ela não pode furar as orelhas sem a permissão dos pais; mas, em quase todos, ela pode ter o ventre aberto e evacuado sem sequer avisá-los.
Cabe à garota… E nós somos induzidos a pensar que isso é uma coisa boa porque “prova” que ela é “confiante” e “empoderada”. O que me parece é que essas crianças são tão agressivas não porque sejam confiantes, mas porque se desesperam. “Temos medo de relacionamentos longos”, diz um adolescente entrevistado. “Os nossos pais estão divorciados e nós nunca vimos um relacionamento longo bem sucedido. As meninas não querem pensar em sexo como uma coisa que tem a ver com amor, porque isso vai fazê-las sofrer. O sexo é só o sinal mais visível que nós sentimos da desconexão”.
Os jovens são ensinados desde cedo que o sexo é inevitável, mas também que, no fim das contas, ele é insatisfatório e leva inevitavelmente ao sofrimento. A primeira lição eles aprendem com a MTV, com os talk shows, com a internet e com revistas adolescentes de sexualidade, do tipo da CosmoGirl. A segunda lição eles aprendem com o divórcio dos pais, com o fim do namoro dos amigos ou deles próprios, com as doenças venéreas e com os abortos.
Eles sentem que, na realidade, não “cabe à garota”. Eles até podem repetir isso, mas não é isso o que eles sentem. É mais fácil e parece mais seguro tentar manter relacionamentos que “não são sérios” ou fingir que se está no controle da relação. Afinal, se não é sério, não vai machucar, pensam os jovens…
“The Times” conta o caso de uma garota de dezoito anos que declarou o seguinte: “Eu acho que o pensamento feminista que é empurrado para cima das meninas desde cedo faz algumas pessoas valorizarem a necessidade de que as meninas dominem diferentes áreas da vida. E as meninas podem achar agora que é importante dominar também no relacionamento sexual. Isso permite que ela tenha mais controle… ‘Eu queria que ele fizesse isso’, em vez de ‘Ele me fez fazer isso’”.
Posso estar errado, mas, na última frase, eu ouço a voz de uma jovem mulher falando em nome das outras e tentando evitar o desespero ao afirmar que é ela quem decide as suas ações, que é ela quem decide o seu destino. Mas repare que ela se mostra passiva mesmo quando alega “ter o controle”: “Eu queria que ele fizesse isso”, em vez de “Eu queria fazer isso”. E observe também que, mesmo ao tentar se dizer no controle, ela diz “mais controle”, o que, neste contexto, parece indicar que ela realmente não tem controle sobre o que o garoto faz. É uma frase que não sugere confiança.
É a expressão de alguém que fez algo que gostaria de não ter feito, mas sente que teve de fazê-lo. É a voz do desespero, familiar a todos nós naquela figura cômica do empregado que grita “Você não pode me demitir! Sou eu que me demito!”, enquanto sai tempestuosamente do escritório do chefe, com um pouquinho do orgulho a salvo apesar de estar arrasado.
Isso não tem nada de cômico na boca de meninas que deveriam ter sido mantidas livres dos perigos e do sofrimento envolvidos na sexualização precoce das revistas adolescentes; que deveriam ter ficado livres da necessidade de se esforçar para ser agressivas; que deveriam ter crescido livres para escolher o que quisessem fazer sem sequer pensar no que os meninos queriam, até encontrarem, um dia, homens que as amassem de verdade, que dessem a vida por elas, que vivessem com elas até que a morte os separasse, a quem elas pudessem oferecer a sua sexualidade livremente e sem medo e com quem pudessem ter e criar os seus filhos.
O curioso é que essas mulheres teriam muito mais controle sobre as suas vidas do que as meninas machos que a “Time” descreveu com aprovação. O que “empodera” de fato uma pessoa é o controle dos próprios apetites, dos próprios instintos e da influência ideológica que os outros (e em especial a mídia) exercem sobre ela. Preservar-se do sofrimento de uma sexualidade vazia e escravizadora é que é algo que realmente “cabe à garota” (e também ao garoto).
David Mills
Fonte: Aleteia

AS SOGRAS SÃO REALMENTE MÁS?

Ai, ai, essa história de sogra é uma graça! Dizem que sogra é ótima… à distância! É verdade? Vamos então pensar em algumas alternativas sobre o conceito de sogra. Ela é a mãe que disputa com a nora o seu filho? É a amigona ou a mulher que pega no pé? Segundo a enciclopédia virtual livre – Wikipédia –, a sogra é vista como um fardo, como destruidora de namoros, noivados e casamentos. Mas por que todos falam dela?
Quando o assunto é sogra, você encontra de tudo: termos pejorativos, piadas etc. Cada crueldade! Deus é mais! E para completar, para cada sogra que dizem ser má há, ao seu lado, sempre um sogro alegre, carinhoso e que acha a nora linda. Coitada das sogras!
Sogra má é um mito ou uma realidade? A tendência de todos nós não é sermos sogros e sogras um dia? De todos os desabafos que já ouvi, este me chamou muito à atenção: “Acredito que essas ‘picuinhas’ entre sogras e noras não passam de imaturidade. Se as duas amam tanto o mesmo homem e querem a felicidade dele, isso não é uma competição, mas um trabalho em grupo. Cada qual tem de entender que ocupam papéis diferentes na vida dele. Ou melhor, na vida de cada uma”. Mas será que esse problema é só com as noras? E os genros?
“A pior sogra era uma turca; a melhor estava morta”. Cheia de preconceito, essa piada demonstra o que muitas noras pensam sobre suas sogras. Podemos expressar, de forma diferente, o que muitas sogras, ao longo da história, acabaram construindo sobre si mesmas. Mas ter uma sogra é ter um esposo. Portanto, para muitas noras o jeito é suportar a sogra má. Considero ser uma das relações mais difíceis a de sogra-nora, sogra-genro. Tão complicada que li uma frase de para-choque de caminhão: “Há duas coisas que matam de repente: vento pelas costas e sogra pela frente”.
Por que, afinal, a sogra é tão desqualificada, seja pelo genro ou pela nora? Segundo a Psicanálise, a mãe é o primeiro objeto de amor de filhos e filhas. Só que essa mãe um dia vira sogra. Consequentemente, ela toma as dores da filha, assim como compete com a nora. Já de acordo com outras abordagens psicológicas, não precisaria ser a mãe este primeiro objeto de amor na vida dos filhos para que esta situação ocorresse. O ambiente se tornaria um possível responsável para que desencontros como esses acontecessem. É no ambiente que encontramos estímulos positivos e negativos, os quais nos afetam e nós também o afetamos.
A presença das pessoas se torna um estímulo e, a depender da função que elas ocupam em nossa vida, podem nos deixar cada vez mais felizes ou não. Quando não, em alguns casos nos adoecem. O que não quer dizer que, no casamento, esse papel de adoecimento seja o da sogra. Sair do jogo será sempre a atitude mais sábia.
Marido não precisa ficar comparando a comida preparada pela esposa com a da sua mãe. Sogra, lembre-se de que a sua nora não roubou filho de ninguém. E filho, mantenha-se sempre neutro e seja justo quando precisar.
Creio já ter chegado o tempo de atribuir um novo sentido a essa história. O mundo mudou, as pessoas mudaram e as sogras também. Se elas não servem para serem sogras, também não servem para criar os netos. Como é isso mesmo? Vamos ser justos com os membros da nossa família. É tempo de viver bem, ainda que seja com a sogra. E a sogra, que viva bem com a nora e com o genro.
Uma relação como essa precisará se tornar adulta para devolver harmonia na convivência familiar. A sogra por sua vez precisará respeitar as escolhas dos filhos, aceitando-as e se comprometendo a ajudá-lo a viver bem com sua esposa e seus filhos. Noras e genros, o compromisso é de igual importância. Precisarão aprender a conviver a partir das suas frustrações e conflitos familiares. Para isso fomos agraciados por Deus com uma porção de inteligência emocional. Em família, o jogo de cintura é muito importante, assim como o perdão e a verdade também. Precisamos nos admirar e falar bem dos nossos, isso sim deverá ser problema de sogra. É preciso manter viva as raízes que geraram bons frutos. Já as que só trouxeram contendas, fofocas e ciúmes, devem ser arrancadas e jogadas fora. Sem decisão não se vive assim. Tem que querer, decidir e praticar as estratégias que as relações familiares se tornarão motivo de alegria e de encontro. E a casa da sogra e das noras será como uma casa de bênção onde o Senhor tem o prazer de entrar e ficar.
Em todo caso, se nada lhe satisfizer no escrito acima, segue uma história para você ler, viver e contar.
“Era uma vez, uma nora, jovem, bonita e muito inteligente. Entediada de tanto ter conflitos com a sogra, a linda jovem desabafou com seu pai sobre a situação que estava enfrentando dentro do ambiente familiar. Seu pai, muito sábio, perguntou: ‘O queres que eu faça para ajudá-la? A moça não pensou duas vezes e respondeu: ‘Mate-a. Por favor, ajude-me a mata-lá’.
O pai, apaixonado pela filha e cheio de compaixão, respondeu que sim. Mas lhe explicou que tudo deveria ser do jeito dele; assim, ele poderia garantir que, em poucos dias, a sogra estaria morta. Então, o pai começou a explicar o passo a passo da destruição da sogra:
‘Filha, todos os dias prepare o café para sua sogra. Com calma. Não desista nunca. Coloque com paciência o pó do café e espere ferver. No outro dia, coloque tudo de novo, mas ofereça o cafezinho já na xícara. Se tiver muito quente, espere esfriar e com paciência sirva a sua sogra.’ Por vezes, a filha ficou sem entender nada.
A sogra estava encantada com tanta delicadeza, não sabia mais o que fazer para também agradar a nora. De repente, a filha reagiu, relatou ao pai que estava fazendo todos os dias o café da sogra e que esta estava bem melhor. E o pai insistia em lhe dizer que não parasse de colocar o café. A sogra ia tomar café até morrer. Quando, para surpresa do pai, a filha disse: ‘Meu pai, pare de matar a minha sogra. Ela está ótima!’. O pai retrucou: ‘Nunca quis matar a sua sogra, muito menos apoiá-la nessa ideia. Aquele pó de café que você colocava, todos os dias, foi se esvaziando de mágoa e tristeza. O veneno da bruxa má (ops… da bruxa má não!) estava vindo de você. Era você quem estava oferecendo a ela o pó da irritação, da intolerância, da mágoa e do ciúme. Sem perceber, você passou a cuidar da sua sogra com paciência e zelo, e hoje já não quer mais matá-la. Então, minha filha, nessa história, mesmo com sogra, o final feliz somos nós que fazemos’.”
Que tal convidar a sua sogra para tomar um cafezinho com você?
Judinara Braz
Fonte: Canção Nova

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A Divina Misericórdia


O bem-aventurado Papa João Paulo II beatificou e canonizou, no ano 2000, sua conterrânea Santa Faustina Kowalska, uma santa religiosa que recebeu visões e revelações de Nosso Senhor a respeito da Divina Misericórdia. Em seu famoso diário, Santa Faustina relata o momento em que Jesus lhe pediu a instituição da festa da Sua Misericórdia:
"A Minha imagem já está na tua alma. Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja benzida solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia." [1]
Atendendo ao apelo do próprio Jesus pelas palavras de Santa Faustina, João Paulo II estabeleceu o segundo domingo da Páscoa – tradicionalmente conhecido como Dominica in Albis – como a festa da Divina Misericórdia. E, este ano, ele mesmo será canonizado por ocasião da festa que instituiu.
Mas, o que é verdadeiramente a misericórdia de Deus? Qual a teologia que está por trás dessa bela festa da Igreja?
O padre Reginald Garrigou-Lagrange, ao explicar por que "Mãe de misericórdia é um dos maiores títulos de Maria", distingue a "misericórdia, que é uma virtude da vontade, e a piedade sensível, que não passa de uma louvável inclinação da sensibilidade". Esta última – que "nos leva a nos compadecer dos sofrimentos do próximo, como se nós o sentíssemos em nós mesmos" – é própria apenas dos seres humanos, não de Deus, "já que [Ele] é um espírito puro" [2]. Nas palavras de Santo Tomás de Aquino, "não é próprio de Deus contristar-se com a miséria de outrem" [3]. Mas, é própria de Deus a misericórdia, que é fundada na vontade. Ao dirigir-se às criaturas, Ele sempre as ama misericordiosamente.
Em nenhuma outra obra divina essa realidade é mais palpável que na Redenção. O homem, que já era um nada diante de Deus pela simples condição de criatura, após o pecado, ficou, por assim dizer, "abaixo do nada". E foi por este homem que o próprio Deus se encarnou e manifestou a Sua misericórdia.
Quanto à questão se a Encarnação teria acontecido, mesmo que o homem não tivesse pecado, alguns teólogos escolásticos – como Duns Escoto – são da posição afirmativa: ainda se o homem não tivesse pecado, Deus teria se encarnado. O Aquinate, ao contrário, responde deste modo:
"As obras puramente voluntárias de Deus, sem haver nenhum débito para com a criatura, nós não as podemos conhecer, senão enquanto manifestadas pela Sagrada Escritura, que nos torna conhecida a vontade divina. Ora, como a Sagrada Escritura, sempre dá como razão à Encarnação o pecado do primeiro homem, mais convenientemente se diz que a obra da Encarnação foi ordenada por Deus como remédio do pecado, de modo que, se o pecado não existisse, a Encarnação não teria lugar. Embora por aí não fique limitado o poder de Deus; pois, Deus teria podido encarnar-se mesmo sem ter existido o pecado." [4]
Tomás destaca que a Encarnação é um ato da soberana liberdade de Deus. Quando Ele decidiu encarnar-Se, em seu plano de amor, fê-lo como realidade que pressupunha a queda do homem. Não se deve ficar construindo hipóteses, como se Deus pudesse caber em raciocínios humanos, nem limitar o poder de Deus, que "teria podido encarnar-se mesmo sem ter existido o pecado".
Então, a misericórdia infinita de Deus se mostra eminentemente na Redenção. Por isto é coerente dizer que do peito aberto de Jesus, trespassado pela lança, brotam os rios "da misericórdia divina" – a água e o sangue [5]: porque, de fato, é na Redenção que Ele manifesta de modo mais elevado a Sua misericórdia. Muito mais que na Criação, a propósito. Nesta, Deus faz as criaturas do nada; naquela, porém, Ele faz muito mais: transforma um réprobo, uma pessoa que merecia o inferno, em um salvo, em um eleito.
"De dois modos podemos dizer que uma obra é grande. – Quanto ao modo de agir e então a maior obra é a da criação, em que o ser foi feito do nada. – Ou quanto à grandeza da obra. E neste sentido maior obra é a justificação do ímpio, que termina pelo bem eterno da participação divina, do que a criação do céu e da terra, que termina no bem da natureza mutável. Por isso, Agostinho, depois de ter dito, que maior obra é fazer do ímpio um justo, que criar o céu e a terra, acrescenta: O céu e a terra passarão; porém a salvação e a justificação dos predestinados permanecerão." [6]
Mas, pergunta-se, como é possível conciliar a misericórdia de Deus com a Sua justiça? Garrigou-Lagrange, ao falar desses dois atributos divinos, escreve que, se a justiça é um "galho" da árvore do amor de Deus, esta árvore não é senão a sua misericórdia e a sua bondade, sempre desejosa de comunicar-se aos homens e "irradiar-se" [7]. Em outras palavras, a justiça divina sempre se manifesta na vida dos homens como demonstração de Seu amor e de Sua misericórdia. Quando somos acometidos por doenças e sofrimentos, podemos certamente dizer que elas não passam de "penas medicinais", "remédios de Deus", a fim de que nos convertamos e nos voltemos a Ele. Em meio às cruzes deste "vale de lágrimas", urge que enxerguemos, em nossas vidas, a ação onipotente de Deus, que é capaz de tirar o bem do mal – e verdadeiramente o faz.
Entretanto, quando Deus nos perdoa e não nos pune por nossos pecados, não está, de certo modo, cometendo uma "injustiça"? Segundo Tomás, não:
"Deus age misericordiosamente, quando faz alguma coisa não em contrário, mas, além da sua justiça. Assim, quem desse duzentos dinheiros ao credor, ao qual só deve cem, não pecaria contra a justiça, mas agiria liberal ou misericordiosamente. O mesmo se daria com quem perdoasse a injúria, que lhe foi feita; pois, quem perdoa, de certo modo dá; e por isso o Apóstolo chama ao perdão, doação (Ef 4, 32): Perdoai-vos uns aos outros como também Cristo vos perdoou. Donde resulta que, longe de suprimir a justiça, a misericórdia é a plenitude dela. Donde, o dizer a Escritura (Tg 2, 13): A misericórdia triunfa sobre o justo." [8]
O perdão misericordioso concedido aos pecadores não está "abaixo" da justiça – como que a contrariando –, mas "além" dela. Em Deus, não existe "justiça comutativa" – dar a alguém aquilo que se lhe deve –, já que Ele não deve nada a ninguém. O que há é a "justiça distributiva", em que Ele distribui seus dons aos homens, dons que não lhes eram devidos; obras, portanto, de Sua misericórdia.
Pergunta-se, ainda, como conciliar a misericórdia divina com a existência do inferno. Para resolver esse problema, é preciso entender que o inferno existe não por uma deficiência do amor de Deus – que é, por essência, infinito –, mas por um abuso da liberdade humana. Quando um católico, por exemplo, que recebeu a graça de ser incorporado à Igreja, ter acesso aos Sacramentos, à vida dos santos e à Palavra de Deus, se fecha aos apelos do céu e endurece o seu coração, está vivendo uma realidade chamada "remorso". O remorso, longe de ser uma dor pela ofensa cometida contra Deus, é um "remordimento" de si mesmo, como um animal que se põe a lamber as próprias feridas. Nessa atitude, percebe-se uma rebelião contra Deus, uma atitude de orgulho que impede que a misericórdia divina aja efetivamente sobre a alma. Por isso, é necessário sempre pedir a Deus a graça do verdadeiro arrependimento de nossos pecados.
Quem não chegou ao conhecimento do Evangelho deve acolher os apelos de Deus em sua consciência para que se salve por caminhos que só Ele conhece. No caso de um católico, todavia, privilegiado por estar na Santa Igreja, desprezar o grande dom dos Sacramentos – sobretudo, o da Confissão e o da Eucaristia – seria uma grande ingratidão. "A quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir" [9], diz Nosso Senhor. Eis o coração da festa da Divina Misericórdia: como alguém, incorporado ao Corpo Místico de Cristo e consciente do amor infinito que Jesus manifestou por si na Cruz, pode deixar de corresponder a essa atitude, devolvendo com amor a um Deus tão bondoso?
A tal ponto chegou a bondade de Deus que, não se contentando em compadecer-Se e encarnar-Se para nos salvar, quis deixar-nos o precioso dom da Eucaristia, a fim de que, comungando quotidianamente de Seu próprio Corpo e Sangue, nos santificássemos. Então, como Ele nos deu tanto, devemos respondê-Lo com muito, ao invés de presumirmos de nossa salvação e afundarmo-nos no pecado. Diz Nosso Senhor a Santa Faustina: "A falta de confiança das almas dilacera-Me as entranhas. Dói-Me ainda mais a desconfiança da alma escolhida. Apesar do Meu amor inesgotável, não acreditam em Mim, mesmo a Minha morte não lhes é suficiente. Ai da alma que deles abusar!" [10].
Ora, não se disse, no começo do programa, com o Aquinate, que "não é próprio de Deus contristar-se"? Como, então, entender a mensagem de Jesus, que diz sentir dilaceradas as Suas entranhas pela "falta de confiança das almas"? Que se entenda: Nosso Senhor verdadeiramente sofreu, ao encarnar-Se e experimentar a Paixão. Mas, considerando que agora está no Céu, em corpo glorioso, e não pode mais sentir dor, dizer que Deus "se entristece" ou "sente dor" não é nada mais que um recurso metafórico e pedagógico para fazer as pessoas compreenderem o quanto Ele ama os homens. Não se pode atribuir paixões a Deus: Ele realmente nos amou, nos ama e nos amará eternamente, porque não revoga seus decretos de amor. Entretanto, a dor propriamente dita só aconteceu no coração humano de Cristo em seu suplício terreno.
Por isso, a festa da Divina Misericórdia e a devoção a Jesus misericordioso são uma forma de renovar a tradicional devoção ao Sagrado Coração de Jesus; de celebrar o coração humano de Cristo que amou a Deus infinitamente e fez-Se vítima para salvar a humanidade.

Recomendação de livro

Referências

  1. Diário, n. 49
  2. Mãe de misericórdia | Permanência
  3. Suma Teológica, I, q. 21, a. 3
  4. Suma Teológica, III, q. 1, a. 3
  5. Jo 19, 34
  6. Suma Teológica, I-II, q. 113, a. 9
  7. Na tradução inglesa de Providence: "If justice is a branch springing from the tree of God’s love, then the tree itself is mercy, or pure goodness ever tending to communicate, to radiate itself externally" (V, 26). O livro completo pode ser lido no site da EWTN.
  8. Suma Teológica, I, q. 21, a. 3, ad 2
  9. Lc 12, 48
  10. Diário, n. 50

“SEXTING”, UMA PERIGOSA MODA ADOLESCENTE

Até alguns anos atrás, as cartas de amor eram os meios utilizados pelos jovens namorados para demonstrar o seu afeto. Com a evolução da tecnologia, as cartas foram substituídas pelo “sexting”, que hoje se converteu na nova forma dos jovens casais demonstrarem o seu “carinho”, sem levar em conta as consequências que isso pode ocasionar-lhes. Além disso, há uma outra parte da juventude que usa o sexting para se divertir ou também para criar popularidade e alcançar aceitação entre os grupos.
O que é o sexting?
O termo sexting nasceu da junção das palavras “sex” (sexo) e “texting” (envio de textos) para se referir ao envio de imagens deles mesmos ou de amigos com pouca roupa ou em posições eróticas através de celulares, computadores ou outros dispositivos eletrônicos.
Tudo surge quando os adolescentes decidem tirar fotos ou vídeos com as características descritas acima e as enviam inocentemente a um(a) jovem que querem conquistar, pois confiam que essa pessoa manterá em sigilo as imagens. No entanto, na maioria das vezes, as imagens são transmitidas de pessoa a pessoa até que se proliferam pela internet rapidamente, revelando ao mundo a intimidade de quem aparece na foto.
Segundo especialistas, as causas deste fenômeno vão desde a desatenção familiar até o maior acesso às tecnologias sem o controle ou a orientação dos pais, situação que coloca em risco a reputação dos jovens, que muitas vezes não possuem critério ou discernimento suficiente para perceber as consequências de se enviar imagens ou vídeos de sua intimidade.
O que fazer como pais?
Seguem algumas recomendações para orientar os filhos perante este modismo:
1) Formar a consciência deles sobre a importância de seu corpo e de sua integridade em geral. Mostrar-lhes as consequências desse tipo de prática.
2) Estimular a autoestima dos filhos, pois um(a) jovem com boa autoestima não permitirá que isso ocorra com ele(a).
3) Ensinar aos filhos a importância de não compartilhar ou reenviar esse tipo de mensagem, caso a recebam.
4) Criar um vínculo de confiança com os filhos, de forma que eles possam se comunicar abertamente com os pais, de modo que os pais sejam as primeiras pessoas contactadas no caso nos jovens precisarem de ajuda.
5) Orientar os filhos sobre o uso responsável da tecnologia e sobre os riscos associados a ela. Se for dar um celular a um menor de idade, deve ser explicado a ele a finalidade do uso, o que pode fazer e o que não pode.
6) Não simplesmente proibir o uso da tecnologia. A curiosidade, acompanhada pela restrição dos pais, leva a que os filhos busquem a informação que querem através de amigos e outras pessoas, isso de forma irresponsável.
7) Posicionar o computador em lugares visíveis dentro da casa, como na sala, em um ambiente onde os jovens possam ser supervisionados por adultos e não lhes seja permitido ter um local de intimidade perante o computador.
A melhor maneira de cuidar da integridade de nossos filhos é falar com eles sobre as consequências do uso inadequado da sexualidade, tanto a curto como médio prazo e do desvirtuamento do verdadeiro sentido do amor.
A sexualidade baseada no amor e no respeito deve fazer parte da tarefa educativa da adolescência, etapa da vida onde a afetividade precisa de boa orientação. A tarefa dos pais é promover uma sexualidade baseada na dignidade da pessoa, que não é nada mais do que o respeito do próprio corpo e do corpo do outro. A sexualidade vivida a partir da perspectiva da dignidade da pessoa é uma doação de intimidades que parte de uma entrega total como é o verdadeiro amor.
Fonte: Aleteia

Novelas! Até quando?

Fonte: Revista Catolicismo, Nº 759, Março/2013

Novelas! Até quando? É sabido que, por onde quer chegue sua influência, as novelas de televisão têm sido utilizadas como meio de dissolução dos costumes. 
Recentemente houve numa novela da “Globo” um beijo entre homens, fato muito enaltecido por certa mídia conhecida até há pouco tempo como “imprensa marrom”.Ao que parece, também a “branca” vai se “amarronzando”.
A esse respeito, lemos no Painel do Leitor da “Folha de S. Paulo” (2-2-14) a seguinte carta: “Após a exibição do primeiro beijo entre homens nas telenovelas brasileiras, a TV Globo emitiu uma nota justificando a sequência como ‘uma necessidade dramatúrgica’ que ‘reflete o momento da sociedade’. Foi uma falta de respeito com as crianças e adolescentes que, com os pais, estavam em frente à TV nessa fatídica sexta-feira. Foi o primeiro passo para a exibição de sexo explícito em uma próxima novela, alegando ser uma ‘necessidade dramatúrgica’ que reflete ‘um momento da sociedade’”. — Jatiacy Francisco da Silva, consultor de negócios, Guarulhos, SP”. 
Pouco depois, “a novela ‘Em Família’ tentou mostrar serviço com um menu pós-beijo gay, que incluía um nu dorsal de Oscar Magrini, a sugestão de nudez de Bruna Marquezine e, entre um batizado católico e um casamento budista, um milagre”. Porém, o primeiro capítulo teve a audiência mais baixa de uma estreia de novela das 21h da Globo, informa o mesmo diário (5-2-14). Ou seja, apesar de perder público, a emissora insiste em demolir a moral. 
O efeito deletério dessas novelas é analisado pelo jornalista Nelson de Sá em artigo intitulado “Emissora retoma tradição de forçar limites morais com telenovelas”.Informa ele: “Um centro europeu de pesquisa levantou há cinco anos que ‘as mulheres que vivem em áreas cobertas pelo sinal da Globo apresentaram taxa de natalidade muito menor’. O motivo: por mais de três décadas, em 115 novelas, 72% das personagens femininas não tinham filhos. O Banco Interamericano de Desenvolvimento apontou depois que ‘a parcela de mulheres que se divorciaram aumenta significativamente depois que o sinal da Globo se torna disponível’. A própria Globo acha que Escalada, de 1975, abriu um debate que levou à aprovação do divórcio no país, em 1977” (“Folha de S. Paulo, 1º-2-14).
Como não ver nesse noticiário um empenho das novelas, ou pelo menos parte ponderável delas, em espezinhar a moral? Com que fim? O que está por detrás disso tudo?
Nossa Senhora chora! Até quando? Lembremo-nos que a Ela se aplicam as palavras da Sagrada Escritura: “Bela como a lua, brilhante como o Sol, terrível como um exército em ordem de batalha” (Cant. 6,10).

O QUE FAZER PARA A CONVERSÃO DO MEU MARIDO?

“O que mais toca o coração de Deus é a nossa perseverança, porque ela é a prova da verdadeira fé que nunca esmorece”
Muitas mulheres estão sofrendo neste momento porque elas amam a Deus, querem viver de acordo com suas leis, mas os seus maridos estão longe de tudo isso. É uma multidão de mulheres nesta situação. Tudo porque o coração da mulher é mais sensível e delicado do que o do homem, é muito mais voltado para Deus, muito mais apto a acolher o seu amor e a ele se entregar.
É raro ver uma mulher sem fé, e ao mesmo tempo é algo muito triste porque é uma violência à sua natureza feminina e materna.
Muitas mulheres de Deus vivem um grande drama: “o meu marido não se converte!” Já ouvi muitas vezes esta lamentação: “Já fiz de tudo; mas ele não vem para Deus, não vai para a igreja comigo, não se confessa, não vai ao grupo de oração e ainda quer me proibir de ir; impede-me de ver a TV Canção Nova e de trabalhar na igreja”.
Sei que o contrário também ocorre; há homens engajados na igreja, mas cujas esposas não os acompanham; mas isto acontece bem menos.
O que fazer?
Antes de tudo é preciso calma e paciência; não se desesperar e não desanimar; isto seria o pior; é tudo que o demônio gostaria que você fizesse; assim ele veria com alegria você abandonar a cruz à beira da estrada.
Saiba que esta cruz é parte do seu casamento; faz parte da missão que Deus lhe deu, de fazer este homem crescer na fé e se salvar. Deus o deu no dia do matrimônio para que você o construísse a cada dia, com sua paciência, oração, fé, lágrimas, sacrifícios e tudo o mais.
A “Ordem do casamento” – como disse Jacques de Vitry na Idade Média – “é uma Ordem cujos estatutos datam do início da humanidade”. Roberto de Sorbon, o auxiliar de São Luiz IX que fundou a célebre Sorbonne, chamava o casamento de “a Ordem sagrada” (“sacer ordo”).
Quando Deus confia um homem a uma mulher, e vice- versa, espera que este o devolva melhor um dia. Então, coragem. Assuma a sua cruz! Não a arraste de má vontade; você não teria méritos diante de Deus. Não a rejeite e nem a lance fora do caminho; ela te santificará e dará sentido profundo ao seu casamento. Ame esta cruz, para poder encontrar nela a salvação.
Não brigue com seu esposo por causa de Deus; Ele tem o seu tempo de agir porque respeita a liberdade do homem, sem o quê ele não seria Sua imagem e semelhança.
Deus sabe esperar “a hora da graça” agir, então você tem que esperar também; “sofre as demoras de Deus” (Eclo 2,3). Não o resista; não o afronte; espere a graça de Deus mexer a sua alma… Seja-lhe dócil; ame-o de todo o coração; conquiste-o para você, para depois, conquistá-lo para Deus.
Reze constantemente por ele, sem jamais desanimar. Esta é a ordem do Senhor: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1).
“Mas, até quando eu terei de rezar pela conversão do meu marido? Eu já estou cansada…!”.
A resposta é: sempre! Até que a morte os separe; até que você cumpra até o último dia de sua vida a promessa que fez no altar de amá-lo na tristeza e na alegria, na saúde e na doença…, amando-o e respeitando-o todos os dias de sua vida.
O que mais toca o coração de Deus é a nossa perseverança, porque ela é a prova da verdadeira fé que nunca esmorece; por isso Jesus disse que: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13). Note que Jesus diz “até o fim”; a perseverança é para sempre. Lutar é mais importante para Deus do que vencer.
Lembro aqui a história maravilhosa da grande cristã Elizabeth Leseur que viveu por volta de 1900. Era uma francesa culta e fervorosa, amiga das artes, das letras, da filosofia, etc., casada com um homem culto e destacado na sociedade francesa; mas ateu, que não acompanhava a fé de Elizabeth. Era o famoso Sr. Marie – Albert Leseur.
A vida inteira Elizabeth rezou e se imolou pela conversão de seu esposo; o acompanhava nos mais altos eventos sociais onde Deus estava ausente, e sua alma chorava em silêncio e oblação a Deus; até que um dia ela veio a falecer sem ver o marido se converter.
Mas eis que Elizabeth tinha escrito um Diário Espiritual; e, um belo dia o seu esposo o encontrou depois de sua morte, e o leu com interesse. Foi o suficiente para que ele se convertesse profundamente.
Ao ler aquelas páginas cheias de fé e de sofrimento oferecido a Deus diariamente, aquele homem foi tocado profundamente e percebeu que vivera ao lado de um anjo sem notar a sua presença. Agora derramava lágrimas de tristeza por não ter vivido aquela fé maravilhosa ao lado da esposa falecida.
Sua conversão foi tão profunda que deixou o mundo, abandonou as esferas sociais onde era exaltado e se fez dominicano; Frei Marie-Albert Leseur.
Do céu Elizabeth converteu o seu Albert. Depois ele publicou: “A Vida de Elizabeth Leseur” (Irmãos Pongetti editores, Rio de Janeiro, 7ª edição, 1931). Toda mulher que sofre esta dor deveria ler esta obra.
Veja você mulher, que ainda não viu seu marido convertido, Elizabeth o converteu para Deus depois da morte. E não é isto o que importa?
Portanto, jamais desanime; jamais se canse, jamais desista desta missão que Deus lhe deu de salvar este homem. Talvez seja você a única criatura neste mundo que possa ajudar a Deus a trazê-lo para Si. E esta será a sua maior obra neste mundo.
Prof. Felipe Aquino
Fonte: Cléofas

Exortação às famílias numerosas


Paulo Roberto Campos

Em célebre discurso aos dirigentes e representantes das associações das famílias numerosas da Itália, o Papa Pio XII prestou homenagem às famílias grandes e as estimulou depositarem sua confiança na Providência Divina. Sua Santidade mostrou que elas são as mais queridas do Criador e representam a garantia da “saúde física e moral do povo cristão”. Também apontou os desvios às leis do matrimônio e da procriação como causa da decadência dos povos, devido à rejeição aos dons inestimáveis de Deus que são os filhos.

A esse propósito, não resisto ao desejo de citar uma frase de Nelson Rodrigues: “O filho único é um mártir; mártir do pai, mártir da mãe e mártir dessas circunstâncias. As famílias numerosas são muito mais normais, mais inteligentes e mais felizes”. Apenas coloco uma ressalva, para não suscetibilizar os casais que, por algum desígnio de Deus e não por limitação artificial da natalidade, não puderam ter filhos, ou tiveram somente um ou dois. Como reza o ditado popular, “toda regra tem exceção”. Esses casais podem oferecer esse sacrifício pelo bem das famílias com muitos filhos ou mesmo, tendo condições, prestar auxílio àquelas com proles numerosas que tenham alguma necessidade.

Segue a íntegra do admirável discurso de Pio XII, publicado pela Editora Vozes Ltda. (Documentos Pontifícios, 1958, pp. 13 a 22). Apenas tomei a liberdade ilustrar o texto, e de assinalar em negrito algumas passagens. 


NO DIA 20 DE JANEIRO DE 1958, O PAPA PIO XII DIRIGIU A PALAVRA A UM GRUPO DE DIRIGENTES E MEMBROS DA FEDERAÇÃO NACIONAL (ITALIANA) DAS ASSOCIAÇÕES DE FAMÍLIAS NUMEROSAS 





1. Entre as visitas mais agradáveis ao Nosso coração, destacamos a vossa, caros filhos e filhas, dirigentes e representantes das Associações de Famílias Numerosas de Roma e da Itália. Conheceis, com efeito, a viva solicitude que dedicamos à família. Não perdemos nenhuma ocasião de assinalar-lhe a dignidade em seus múltiplos aspectos, de afirmar e defender-lhe os direitos, de inculcar-lhe os deveres, numa palavra, de fazer dela um ponto fundamental de nosso ensinamento pastoral. 

2. Em razão dessa solicitude para com a família, consentimos com todo o prazer, quando as ocupações de Nosso cargo a isso não se opõem, em receber, mesmo que seja por breves momentos, os grupos de famílias que vêm até a Nossa residência e mesmo em deixar-Nos fotografar em sua companhia, para perpetuar, de algum modo, a lembrança da Nossa e sua alegria. 

3. O Papa no meio de uma família! Não é este um lugar que bem lhe convém? Não é ele próprio, com um significado altamente espiritual, o Pai da família humana regenerada no Cristo e na Igreja? E não é por intermédio do Vigário de Cristo na Terra que se realiza o admirável desígnio da Sabedoria criadora, que ordenou toda paternidade humana no sentido de preparar a família eleita dos céus, onde o amor de Deus, Uno e Trino, a envolverá num só e eterno abraço, dando-se a Si mesmo como herança de beatitude?

4. Entretanto não representais apenas a família, mas sois e representais as famílias numerosas, isto é, as que são mais abençoadas por Deus, queridas e estimadas pela Igreja como os tesouros mais preciosos. Destas recebe, com efeito, com mais evidência, um tríplice testemunho, pois ao mesmo tempo em que confirmam aos olhos do mundo a verdade de sua doutrina e a retidão de sua prática, tornam-se, em virtude do exemplo, de grande auxílio para todas as outras famílias e para a própria sociedade civil. Com efeito, quando são encontradas com frequência, as famílias numerosas atestam a saúde física e moral do povo cristão, a fé viva em Deus e a confiança em sua Providência, a santidade fecunda e feliz do casamento católico.

5. Sobre cada um desses testemunhos queremos dizer-vos algumas breves palavras. 

FAMÍLIAS NUMEROSAS, GARANTIA DA SAÚDE E MORAL DE UM POVO 


6. Entre as aberrações mais prejudiciais da moderna sociedade pagã, deve-se destacar a opinião de alguns que ousam definir a fecundidade dos casamentos como uma “doença social” que os países por ela atingidos deveriam esforçar-se para banir de todos os modos. Daí a propaganda daquilo que se designa como“controle racional dos nascimentos”, sustentado por pessoas e entidades às vezes ilustres por outros títulos, mas infelizmente condenáveis por este. Mas, se é doloroso notar a difusão de tais doutrinas e práticas, mesmo das classes tradicionalmente sãs, é no entanto reconfortante assinalar em vossa pátria os sintomas e os fatos de uma salutar reação, tanto no terreno jurídico como médico.

7. Como se sabe, a Constituição em vigor na República Italiana, para citar apenas uma fonte, concede, no artigo 31, uma “particular proteção às famílias numerosas", enquanto a doutrina mais em voga entre os médicos italianos toma cada dia mais força contra as práticas que limitam os nascimentos. No entanto, não se deve julgar que o perigo cessou e foram destruídos os preconceitos que tendem a sujeitar o casamento e suas sábias normas a culpáveis egoísmos individuais e sociais. Deve-se especialmente lamentar que a imprensa volte, de tempos em tempos, ao problema, com a manifesta intenção de confundir as ideias do povo simples e induzi-lo em erro com documentações falsas, com inquéritos discutíveis e mesmo com declarações deturpadas de tal ou qual eclesiástico.


8. Da parte católica, é preciso insistir para se propagar a convicção, fundamentada na verdade, de que a saúde física e moral da família e da sociedade não se resguarda senão na obediência generosa às leis da natureza, isto é, do Criador, e antes de mais nada no respeito sagrado e interior nutrido por elas.Tudo nesse assunto depende da intenção. Poder-se-iam multiplicar as leis e agravar os sofrimentos, demonstrar por provas irrefutáveis a inanidade das teorias da limitação e os males que decorrem de sua aplicação; mas se faltar a sincera resolução de deixar o Criador realizar livremente a sua obra, o egoísmo humano saberá sempre encontrar novos sofismas e expedientes para fazer calar, se possível, a consciência e perpetuar os abusos. 

9. Ora, o valor do testemunho dos pais de famílias numerosas não consiste apenas em rejeitar sem meios-termos e com força dos fatos qualquer compromisso intencional entre a lei de Deus e o egoísmo do homem, mas na prontidão em aceitar com alegria e gratidão os inestimáveis dons de Deus que são os filhos, e no número que Lhe apraz.Esta disposição de espírito, ao mesmo tempo em que liberta os esposos de intoleráveis pesadelos e remorsos, traz consigo, conforme médicos autorizados, as premissas psíquicas mais favoráveis para o são desenvolvimento dos frutos próprios ao casamento, evitando na origem dessas vidas novas os tormentos e angústias que se transformam em taras físicas e psíquicas, tanto na mãe como na prole. 

10. Na verdade, exceto casos excepcionais sobre os quais tivemos ocasião de falar de outras vezes, a lei da natureza é essencialmente harmonia e portanto não produz desajustes e contradições senão na medida em que seu curso é perturbado por circunstâncias quase sempre anormais ou pela oposição da vontade humana. Não existe eugenia que saiba fazer melhor do que a natureza e só será salutar na medida em que respeitar as leis desta, após tê-las profundamente conhecido, tanto que em certos casos de pessoas deficientes, é aconselhável dissuadi-las de contrair matrimônio (Cf. Enc. “Casti Connubii”, 31-12-1930 — A. A. S. a. 22, 1930, p. 565). Aliás, sempre e em toda parte, o bom-senso popular viu nas famílias numerosas o sinal, a prova e a fonte da saúde física, enquanto a história não se engana quando aponta o desvio das leis do casamento e da procriação como uma primeira causa da decadência dos povos.

11. As famílias numerosas, longe de serem “doença social”, 

são a garantia da saúde física e moral de um povo.Nos lares em que sempre há um berço de onde se ouvem vagidos, as virtudes florescem espontaneamente, enquanto o vício se afasta como que expulso pela infância, que aí se renova qual brisa fresca e vivificante da primavera. 

12. Que os pusilânimes e egoístas sigam pois o vosso exemplo; que a pátria vos seja grata e tenha predileção por vós, por tantos sacrifícios que assumis criando e educando seus cidadãos; do mesmo modo a Igreja vos deve gratidão, pois, graças a vós e convosco, pode apresentar à ação santificadora do Espírito Santo multidões de almas cada vez mais sãs e numerosas. 



FAMÍLIAS NUMEROSAS, TESTEMUNHO DA FÉ VIVA EM DEUS E DA CONFIANÇA EM SUA PROVIDÊNCIA



13. No mundo civil moderno a família numerosa vale em geral, não sem razão, como um testemunho da fé cristã vivida, porque o egoísmo de que acabamos de falar como principal obstáculo à expansão do núcleo familiar, não pode ser eficazmente vencido senão recorrendo-se aos princípios ético-religiosos. 

14. Recentemente ainda, viu-se que a famosa “política democrática” não obtém mais resultados apreciáveis, seja porque quase sempre o egoísmo individual prevalece sobre o egoísmo coletivo, de que ela é frequentemente a expressão, seja porque as intenções e os métodos dessa política aviltam a dignidade da família e da pessoa, equiparando-se quase às espécies inferiores. Somente a luz divina e eterna do Cristianismo ilumina e vivifica a família de tal modo que, seja no início, seja no desenvolvimento, a família numerosa é tida quase sempre como sinônimo de família cristã. O respeito às leis divinas lhe deu a exuberância da vida; a fé em Deus concede aos pais a força necessária para enfrentar os sacrifícios e as renúncias exigidas pela educação dos filhos; o espírito cristão do amor vela sobre a ordem e a tranquilidade, ao mesmo tempo em que prodigaliza, como que as extraindo da natureza, as íntimas alegrias familiares, comum aos pais, aos filhos, aos irmãos. 

15. Exteriormente também uma família numerosa bem ordenada é qual um santuário visível: o sacramento do Batismo não é para ela um acontecimento excepcional, mas renova muitas vezes a alegria e a graça do Senhor. Ainda não se encerraram as festivas peregrinações às fontes batismais e já começam, resplandecentes de igual candura, as das crismas e primeiras comunhões. Mal o caçulinha tirou sua pequena veste branca, conservada como a mais cara lembrança de sua vida, e eis que já aparece o primeiro véu nupcial, que reúne aos pés do altar pais, filhos e novos pais. Como primaveras renovadas, suceder-se-ão outros casamentos, outros batizados, outras primeiras comunhões, perpetuando por assim dizer, no lar, as visitas de Deus e de sua graça. 

Pintura do séc. XIX representando um cortejo de meninos e meninas caminhando em direção à igreja, cuja bela torre se faz notar ao fundo, para a cerimônia da Primeira Comunhão. No primeiro plano, uma mãe aguarda sua filha receber as felicitações da avó (osculando a netinha) e depois do avô (sentado e já estendo a mão para os cumprimentos). A mãe, com o livro de missa na mão esquerda, espera o término das saudações a fim de levar a filha para seguir o cortejo das crianças. O pequenino observa os meninos, um deles talvez seu irmão, certamente já desejando chegar o dia em que ele também poderá fazer a Primeira Comunhão.

16. Mas Deus também vem às famílias numerosas com a sua Providência, da qual os pais, principalmente os pobres, dão um testemunho evidente, nela colocando toda a sua confiança, quando não são suficientes os meios humanos. Confiança bem fundada e de modo algum vã! A Providência — para nos exprimirmos com conceitos e palavras humanas — não é propriamente o conjunto de atos excepcionais da clemência divina, mas o resultado normal da ação harmoniosa da sabedoria, bondade e onipotência infinita do Criador. Deus não recusa meios de viver àquele que traz à vida. O divino Mestre ensinou explicitamente que “a vida vale mais que o alimento e o corpo mais que a veste” (Cf. Mt 6,25). Se fatos isolados, pequenos e grandes, parecem às vezes provocar o contrário, é sinal de que algum obstáculo foi interposto pelo homem à execução da ordem divina, ou então, em casos excepcionais, que prevalecem desígnios superiores de bondade; mas a Providência é uma realidade, uma necessidade de Deus Criador.  

17. Sem dúvida alguma, não é de falta de harmonia ou de inércia da Providência, mas da desordem do homem — em particular do egoísmo e da avareza — que surgiu e permanece ainda sem solução o famoso problema do excesso de população da Terra, que em parte existe realmente e em parte irrazoavelmente temido como uma catástrofe iminente da sociedade moderna. Com o progresso da técnica, com a facilidade dos transportes, com as novas fontes de energia, de que apenas se começam a colher os frutos, a terra poderá proporcionar prosperidade a todos que acolher, durante muito tempo ainda. 

18. Quanto ao futuro, quem pode prever os outros novos recursos ainda ignorados que encerra o nosso planeta e que surpresas, fora dele, nos reservam talvez as admiráveis realizações da ciência, que apenas começam? E quem pode assegurar para o futuro um ritmo de procriação natural semelhante ao atual? Será impossível a intervenção de uma lei moderadora intrínseca do ritmo de expansão? A Providência reservou para si o futuro do mundo. Na expectativa disso, um fato singular é que, enquanto a ciência converte em realidades úteis o que outrora era considerado como fruto de imaginações fantasistas, o temor de alguns transforma as esperanças bem fundadas de propriedade em espectros de catástrofe. O excesso de população não é, pois, uma razão plausível para difundir os métodos ilícitos do controle dos nascimentos, mas antes pretexto para legitimar a avareza e o egoísmo, seja das nações que, da expansão de outras temem um perigo para sua própria hegemonia política e abaixamento do nível de vida, seja dos indivíduos especialmente dos mais bem providos de meios de fortuna, que preferem o mais amplo gozo dos bens da terra à honra e ao mérito de suscitar novas vidas. Chegam desse modo a violar as leis acertadas do Criador, sob o pretexto de corrigir os erros imaginários de sua Providência. Seria, pelo contrário, mais razoável e útil que a sociedade moderna procurasse mais resoluta e universalmente corrigir sua própria conduta, removendo as causas da fome nas “regiões subdesenvolvidas” ou superpovoadas, por meio do emprego mais ativo, com fins de paz, das descobertas modernas, de uma política mais, ampla de colaboração e intercâmbio, de uma economia mais previdente e menos nacionalista. E, principalmente, reagindo contra as sugestões do egoísmo pela caridade, da avareza pela aplicação mais concreta da justiça. Deus não pedirá aos homens contas do destino geral da humanidade, que é de sua alçada; mas dos atos distintos queridos por eles em conformidade com os ditames de suas consciências ou em oposição aos mesmos.

19. Quanto a vós, pais e filhos de famílias numerosas, continuai a dar com firmeza serena o vosso testemunho da confiança na Providência divina, certos de que ela não deixará de recompensá-los pela prova de sua assistência cotidiana e, se for necessário, por intervenções extraordinárias de que muitos dentre vós tendes a feliz experiência.

FAMÍLIAS NUMEROSAS, TESTEMUNHO DA SANTIDADE FECUNDA E FELIZ DO CASAMENTO CATÓLICO


20. E agora, algumas considerações sobre o terceiro testemunho, a fim de apaziguar os inquietos e aumentar vossa coragem. 

As famílias numerosas são os mais belos ramalhetes do jardim da Igreja; nelas, como em terreno propício, floresce a alegria e amadurece a santidade. Qualquer núcleo familiar, mesmo o mais restrito é, nas intenções de Deus, um oásis de serenidade espiritual. Existe, porém, profunda diferença no lar em que o número de crianças não ultrapassa ao do filho único. Essa intimidade serena, que tem um valor de vida, traz em si qualquer coisa de melancólico e pálido; é de duração mais breve, talvez mais incerta, muitas vezes perturbada por temores e remorsos secretos. Outra é, pelo contrário, a serenidade de espírito dos pais cercados por uma vigorosa florescência de vidas jovens. A alegria, fruto da bênção superabundante de Deus, se manifesta de mil modos, com constância estável e segura. Sobre a fronte desses pais e mães, mesmo quando carregada de cuidados, não há traço dessa sombra interior reveladora de inquietações de consciência ou do temor de uma irreparável volta à solidão. Sua juventude parece nunca ter fim enquanto dura no lar o perfume dos berços, enquanto nas paredes da casa ressoam as vozes argentinas dos filhos e dos netos. As fadigas multiplicadas, os sacrifícios redobrados e as renúncias às distrações dispendiosas são largamente recompensadas, mesmo aqui na Terra, pelo mundo inesgotável de afetos e de doces esperanças que lhes invadem o coração, sem todavia oprimi-lo ou cansá-lo.



21. E as esperanças se transformam em breve em realidade, quando a filha mais velha já começa a ajudar a mãe a cuidar do mais novo; quando o filho mais velho volta para casa radiante, pela primeira vez, com seu primeiro salário. Esse dia entre todos será abençoado de modo especial pelos pais, que veem para sempre afastado o espectro de uma velhice miserável, e sentem a segurança da recompensa de seus sacrifícios. Os filhos numerosos, por sua vez, ignoram a solidão e o mal-estar de serem obrigados a viver no meio de adultos. É verdade que essa companhia numerosa pode às vezes transformar-se numa vivacidade fastidiosa e suas desavenças, em tempestades passageiras; mas quando estas são superficiais e de curta duração, concorrem eficazmente para a formação do caráter. Os filhos das famílias numerosas se educam por assim dizer por si mesmos na vigilância e na responsabilidade de seus atos, no respeito e no auxílio mútuo, na largueza do espírito e na generosidade. A família é para eles um pequeno mundo de experiências antes de enfrentarem o mundo exterior, mais árduo e mais constrangedor.

RECOMENDAÇÃO FINAL E BÊNÇÃO APOSTÓLICA


22. Todos esses bens e todos esses valores ganham em consistência, intensidade e fecundidade quando a família numerosa coloca, como seu fundamento e regra, o espírito sobrenatural do Evangelho, que tudo eleva acima do humano e tudo perpetua. Nesses casos, aos dons comuns de providência, de paz, de alegria, Deus acrescenta muitas vezes, como a experiência o demonstra, os chamados de predileção, isto é, as vocações ao sacerdócio, à perfeição religiosa e à própria santidade. Mais de uma vez, e não sem 

razão, salientou-se a prerrogativa das famílias numerosas como viveiros de santos. Citam-se, entre outras, a de São Luís, rei da França, composta de dez filhos; a de Santa Catarina de Sena, de vinte e cinco; a de São Roberto Bellarmino, de doze; a de São Pio X [foto], de dez. Toda vocação é um segredo da Providência; mas no que diz respeito aos pais, esses fatos permitem concluir que o número de filhos não impede sua excelente e perfeita educação; que o número, nesse assunto, não traz desvantagem para a qualidade no que se refere aos valores tanto físicos como espirituais.

23. Uma palavra, finalmente, para vós, dirigentes e representantes das Associações das Famílias Numerosas de Roma e da Itália. Tende o cuidado de imprimir um dinamismo cada vez mais vigilante e ativo à ação que vos propusestes realizar para o bem da dignidade da família numerosa e sua proteção econômica. Quanto à primeira finalidade, conformai-vos aos preceitos da Igreja; quanto à segunda, é preciso sacudir a inércia da porção da sociedade que ainda não se abriu aos deveres sociais. 

24. A Providência é uma verdade e uma realidade divina, mas ela se apraz em servir-se da colaboração humana. De ordinário, move-se e acorre quando é chamada e, por assim dizer, conduzida pela mão do homem; gosta de esconder-se por detrás da ação humana. Se é justo reconhecer na legislação italiana posições das mais avançadas no terreno da proteção às famílias, particularmente às famílias numerosas, é preciso não ocultar que ainda existem muitas que se debatem, sem que seja por culpa sua, no meio de dificuldades e privações. Pois bem, vossa ação deve propor-se fazer chegar igualmente a estas a proteção das leis e, nos casos urgentes, a da caridade. Qualquer resultado positivo alcançado nesse terreno é qual uma sólida pedra colocada no edifício da Pátria e da Igreja; e é o melhor que podeis fazer como católicos e como cidadãos.

25. Invocando a proteção divina para as vossas famílias e para as de toda a Itália e colocando-as ainda uma vez sob a égide celestial da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, de todo o coração Nós vos concedemos a Nossa paternal Bênção Apostólica".

Fonte: http://blogdafamiliacatolica.blogspot.com.br/search?updated-max=2015-02-22T18:33:00-03:00&max-results=20
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