segunda-feira, 30 de junho de 2014

Protegendo a Família do Inimigo Interno

PS-Kroyer
Muitos pais se dão por satisfeitos se alcançam êxito em proteger seus filhos das péssimas influências externas. Só que eles também precisam considerar as más-influências e distrações que aparecem dentro do seio familiar. Os pais deveriam dedicar uma grande atenção ao desenvolvimento de relações amistosas; numa atmosfera de carinho intenso.
A vida moderna tende a conspirar contra essas relações. Com muita frequência, as famílias vivem nas mesmas casas, mas não se comunicam. Os membros da família trazem, para dentro do lar, o ritmo frenético, a agitação e as agendas ocupadas que orientam suas vidas fora de casa.
Evan_Davis_at_the_Royal_Wedding_Apr_2011-233x300“Frequentemente, na fragmentação da família”, escreve o Dr. Peter Whybrow, “os membros voltam-se para seus próprios interesses – jogar videogames, assistir televisão, escrever e-mails, trabalhar no computador, falar ao telefone – de modo que a casa não seja mais um lar, mas uma estação para outro mundo” (Peter C. Whybrow, American Mania: When More is Not Enough, W. W. Norton, Nova York, 2005, p. 242).¹
Perdidas são as refeições que deveriam ser partilhadas. Atividades familiares espontâneas como conversar, cantar e se distrair são substituídas por ocupações sem qualquer interação. Enquanto tudo isso ocorre, muitos pais vivem a ilusão de que essas falhas podem ser compensadas se eles tiverem um “tempo de qualidade” com as crianças. Tais intervalos, frequentemente, não possuem nem qualidade nem tempo, visto que todos estão comprometidos com suas próprias rotinas estafantes.
Qualquer retorno à ordem deve se basear no retorno à vida familiar. Deve-se incluir a presença física do pai, da mãe e dos membros da família – já considerando isso um grande feito; nesses tempos de divórcio e guarda compartilhada. Entretanto, deve-se instituir, especialmente, aquela interação natural e espontânea que une os membros da família na alegria e na tristeza, e que faz da família uma unidade social insubstituível para a sobrevivência da sociedade.
¹ Título do livro: “Mania Americana: Quando Mais Não é o Bastante”, em tradução livre.

Nossa Senhora tem devotos na Seleção Brasileira

Ao final do emocionante jogo entre Brasil e Chile, vencido por  3 x 2 na cobrança dos pênaltis pela seleção brasileira, a televisão mostrou por alguns segundos os jogadores mostrando uma pequena dezena do Santo Terço.

Terço foi colocado dentro do gol na cobrança dos pênaltis.
Terço foi colocado dentro do gol na cobrança dos pênaltis.
O cantor católico Eros Biondini revelou em seu perfil no Facebook que o objeto de devoção foi dado por um membro da Missão Mundo Novo, de Belo Horizonte, ao goleiro Victor durante a Copa Libertadores da América.  Na cobrança dos pênaltis de hoje, o goleiro  Júlio Cesar colocou o terço dentro do gol. “ Bonito ver essa cena!”, disse Eros, seguido da hastag #MariaPassaNaFrente
Reprodução/Facebook
Reprodução/Facebook
Quem também é devoto da Virgem Maria é o treinador da seleção Luiz Felipe Scolari. Felipão tem predileção por Nossa Senhora de Caravaggio. Por diversas vezes  o treinador falou da importância da fé para os jogadores. 
Na reportagem exibida nas vésperas do jogo  de hoje  no Jornal Nacional (TV Globo) foi mostrado o treinador visitando a gruta de Nossa Senhora na Granja Comary, local onde a Seleção brasileira fica concentrada.
felipão reproducao tv globo
Felipão reza em silêncio diante de Nossa Senhora. Imagem: reprodução/TV Globo
Felipão no Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio. (Foto: Jonas Ramos/ Agência RBS). Origem> Site Lance Net.
Felipão no Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio. (Foto: Jonas Ramos/ Agência RBS). Origem> Site Lance Net.

domingo, 29 de junho de 2014

As fontes do divórcio



VISÃO PANORÂMICA DO OCIDENTE

Um dos mais eruditos professores da Universidade de Harvard e dos mais respeitados sociólogos da atual América do Norte, Carle Zimmermann, apesar de se não dizer católico, como Nelson Carneiro, e de não pedir, como faz este deputado em sua campanha divorcista, nem 'as orações dos fiéis' nem 'a benção de Deus'; aquele sociólogo, no livro intitulado 'Family and Civilization', faz uma interessante história do conceito de Família, no Ocidente, e dos fatos que determinaram a degradação desse conceito. Estudo tão imparcial e objetivo, que os leitores também objetivos e imparciais hão de aplicar o processo que explicamos no Prefácio: a indução incompleta. Se verificamos que o divórcio, nos outros países, é fruto de decadência moral, temos o direito de concluir que, em nosso país, não seria fruto de coisa melhor.

SÉCULOS XII – XIV

CONCEITO DE FAMÍLIA – Sacramento, união santificada pela graça. Esposo e esposa, pais e filhos unidos inquebrantavelmente. Homem e mulher unidos por toda a vida. O casamento começa com o noivado ('Sponsalia')

PRINCIPAIS FONTES DESSE CONCEITO – Autoridades eclesiásticas, autoridades do Direito Canônico e quase total ausência de crítica da doutrina sobre família. Nenhuma lei civil sobre o casamento.

SÉCULOS XV – XVI

CONCEITO DE FAMÍLIA – A família considerada como união feita pelo homem, não mais como Sacramento, nem como especificamente criada por uma autoridade divina. E à semelhança de todas as coisas feitas pelo homem, o casamento podia ser dissolvido, sob condições extremas. 'Sponsalia' (noivado) como começo de casamento, já começando a ser discutido.

PRINCIPAIS FONTES DESSA QUEDA DE CONCEITO – Lutero, Calvino, escritores protestantes, humanistas, certos professores de Direito Canônico e uma minoria no Concílio de Trento, sendo esse criticismo mais ativo em leis de velhos estados bárbaros.

SÉCULO XVII

CONCEITO DE FAMÍLIA – Assunto de Família ainda sagrado, mas excluindo-se o Sacramento. As igrejas separadas querendo regulamentar a Família, quase como a Igreja Católica... Os atos religiosos tendem a tornar-se também um ato civil... O registro de casamento começa em ambos os foros: religioso e civil.
PRINCIPAIS FONTES DESSA QUEDA DE CONCEITO – Juristas alemães e norte-europeus. O período da revolução de Cromwell, na Inglaterra. Em França, a legislação de Blois e outras leis uniram a jurisdição civil e religiosa da Família. Nas colônias americanas, exigindo o casamento civil, mas qualquer infração contra ele é punida severamente.

SÉCULO XVIII

CONCEITO DE FAMÍLIA – A Família é apenas um contrato público. O clero presente como convidado, e não como autoridade... Enfraquece a concepção de Família. A Revolução Francesa, marco na história do divórcio, ao passo que a revolução inglesa, no século anterior, não o admitiu. Começo da concepção de Família como exclusivamente um contrato civil. Aceitação geral de uma ideia legislativa de divórcio. Divórcio absoluto em círculos não católicos. Os elementos de Família enfraquecendo-se em seu controle de doutrina sobre Família.

PRINCIPAIS FONTES DESSA QUEDA DE CONCEITO – Margaret de Loraine, Montaigne, Rousseau, começo do movimento feminista contra a Família. 'Les philosophes du XVIII siécle ont secularisé la conception du mariage'... Os mais conhecidos filósofos da Alemanha e Inglaterra. As Famílias coloniais americanas voltam-se para o casamento religioso, mas praticando a limitação da Família. Assim, a futura população, nesse país, aumenta com a enchente de imigrantes, a começar pelos escoceses, irlandeses e alemães do Palatinado.

SÉCULO XIX

CONCEITO DE FAMÍLIA – O mais fraco possível. A ideia leiga e absoluta do divórcio espalha-se em todos os lugares, com o código napoleônico e a revolução industrial. As leis americanas fazem da Família um contrato privado. Divórcio para todos ('Omnibus Divorce'). A concepção 'Fame sole' liberta as pessoas da dominação de Família, disso resultando as leis de Husband e reações como a Galicana, no séc. XVIII. Tudo passa de Status para contrato. Idade não de Familismo, porém de individualismo dourado. Os elementos individualistas ganham o controle da doutrina de Família. O controle público da Família é seriamente deturpado.

PRINCIPAIS FONTES DESSA QUEDA DE CONCEITO – As leis dos países europeus. A lei americana de Família. Irrupção do conceito anti-familiar de Carlos Marx. A teoria evolucionista de aniquilamento da Família ganha aceitação dominante. Começo do receio de superpopulação. Aceitação geral do casamento sem filhos e poligamia sucessiva, com nos últimos dias de Roma e da Grécia.

SÉCULO XX

CONCEITO DE FAMÍLIA –
 Contrato privado de fato. A revolução russa quebra os laços da Família européia oriental. Medo da dispopulação e das guerras. Estados ditatorias forcejam contra o familismo (Alemanha, Rússia e Itália). Outros tentam comprá-lo por abono de Família (França, Inglaterra, América e Suécia). Geral colapso dos valores da Família. Alguns literatos têm receio das próprias doutrinas anti-familistas. Eminentes lógicos e matemáticos escrevem contra o casamento e a Família. Concubinato e formas secundárias de casamento, propostos por homens públicos. Pelo receio de uma controvérsia moral, a dignidade do casamento é prostituída na imprensa, no rádio e nas altas rodas. Os grupos individualistas e estadistas controlam a doutrina sobre a Família. Esforços por reviver o controle público do Familismo.

PRINCIPAIS FONTES DESSA QUEDA DE CONCEITO – REAÇÕES. – Leis e propagandas em vários países. A Rússia abandona as suas experiências. Os nazistas e fascistas fazem relacionar-se Familismo e cidadania. A Lei americana de Família enche seis volumes e, na maior parte, não satisfaz, segundo a opinião dos legisladores. Renasce o medo da subpopulação. Acelera-se violentamente a rotura da Família, depois da Segunda Guerra Mundial, o que prova um contramovimento. Polarização dos valores da Família, tanto quanto no tempo de S. Basílio. Jornais "conservadores" atacam o Familismo como sem valia e prejudicial. Pais presos por crimes de juventude. Os ricos defendem o casamento como contrato privado.

CONCLUSÃO

De tudo isso rebenta uma conclusão necessária: O divórcio não é fruto da civilização, mas da decadência. Não é fruto da virtude, mas do mal. E quando o deputado Nelson Carneiro, suplicar 'as orações dos fiéis e a bênção de Deus' para o seu Projeto de divórcio, saibamos dizer-lhe que os católicos só podem rezar pelo que é bom, e que Deus não manda bênção, e sim maldição para o que é mau.

Sirva-nos de exemplo a civilização de outros países, tão demagogicamente evocada pelo mesmo deputado. Esses países adotaram a lei do divórcio, é verdade, mas para ruína da Família e da própria civilização. Exatamente o que diz o sociólogo americano: 'Como nos últimos dias de Roma e da Grécia'...

Convém ainda lembrar que não somos nenhuma colônia de país europeu nem dos EUA, assistindo-nos, portanto, o direito de reagir com aquela altivez com que Ruy Barbosa reagiu, citando a 'um dos maiores luminares na jurisprudência e nos estudos sociais da Itália: Em matéria de autoridade quer-me parecer que alguma coisa vale também a do povo italiano, entre as dos outros, ao menos quanto ao que na Itália se tem de fazer'.

Mons. Francisco de Sales Brasil

O objetivo da familia

A família, definida pelo Concílio Ecumênico Vaticano II como o santuário doméstico da Igreja e que é a « primeira célula vital da sociedade »,1 constitui um objeto privilegiado da atenção pastoral da Igreja. « Num momento histórico em que a família é alvo de numerosas forças que a procuram destruir ou de algum modo deformar, a Igreja, sabedora de que o bem da sociedade e de si mesma está profundamente ligado ao bem da família, sente de modo mais vivo e veemente a sua missão de proclamar a todos o desígnio de Deus sobre o matrimônio e sobre a família » .

Nestes últimos anos, a Igreja, através da palavra do Santo Padre e mediante uma vasta mobilização espiritual dos pastores e leigos, multiplicou a sua solicitude para ajudar todo o povo crente a encarar com gratidão e plenitude de fé os dons que Deus concede ao homem e à mulher unidos no sacramento do matrimônio, para que possam realizar um caminho autêntico de santidade e oferecer um verdadeiro testemunho evangélico nas situações concretas em que vivam.

Os sacramentos da Eucaristia e da Penitência têm uma função fundamental no caminho para a santidade conjugal e familiar. O primeiro reforça a união com Cristo, fonte de graça e de vida, e o segundo reconstrói, caso tenha sido destruída, ou engrandece e aperfeiçoa a comunhão conjugal e familiar, ameaçada e rompida pelo pecado. Para ajudar os cônjuges a conhecer o percurso da sua santidade e realizar a sua missão, é fundamental a formação da sua consciência e a realização da vontade de Deus no âmbito específico da vida esponsal, e isto na sua vida de comunhão conjugal e de serviço à vida. A luz do Evangelho e a graça do sacramento representam o binômio indispensável para a elevação e a plenitude do amor conjugal que tem a sua fonte em Deus Criador. De fato, « o Senhor dignou-se sanar, aperfeiçoar e elevar este amor com um dom especial de graça e caridade ». 

Em relação ao acolhimento destas exigências do amor autêntico e do plano de Deus na vida quotidiana, o momento em que os cônjuges pedem e recebem o sacramento da Reconciliação representa um evento salvífico da máxima importância, uma ocasião de aprofundamento iluminante da fé e uma ajuda precisa para realizar o plano de Deus na própria vida. « O sacramento da Penitência ou Reconciliação aplana o caminho para cada um dos homens, mesmo quando sobrecarregados com graves culpas. Neste Sacramento, todos os homens podem experimentar de modo singular a misericórdia, isto é, aquele amor que é mais forte do que o pecado ». 

Uma vez que a administração do sacramento de Reconciliação está confiada ao ministério dos sacerdotes, o presente documento é destinado, especificamente, aos confessores e tem o objetivo de oferecer algumas disposições práticas para a confissão e a absolvição dos fiéis em matéria de castidade conjugal. Mais concretamente, com este vademecum ad praxim confessariorum pretende-se também oferecer um ponto de referência para os penitentes casados a fim de que, da prática do sacramento de Reconciliação, possam tirar sempre grande proveito e viver a sua vocação à paternidade maternidade responsável em harmonia com a lei divina ensinada autorizadamente pela Igreja. Servirá também para ajudar aqueles que se preparam para o matrimônio. 

O problema da procriação responsável representa um ponto particularmente delicado no ensinamento da moral católica no âmbito conjugal, mas ainda mais, no âmbito da administração do sacramento de Reconciliação, no qual a doutrina se confronta com as situações concretas e com o caminho espiritual de cada um dos fiéis.

De fato, é necessário voltar a ter presente pontos firmes que permitam afrontar de modo pastoralmente adequado as novas modalidades de contracepção e o agravar-se de todo este fenômeno.6 Com o presente documento não se pretende repetir todo o ensinamento da Encíclica Humanae Vitae, da Exortação Apostólica Familiaris Consortio e de outras intervenções do Magistério ordinário do Sumo Pontífice, mas somente oferecer sugestões e orientações para o bem espiritual dos fiéis que se abeiram do sacramento de Reconciliação e para superar as eventuais divergências e incertezas na praxe dos confessores. 

A castidade conjugal na doutrina da Igreja A tradição cristã defendeu sempre a bondade da união conjugal e da família contra as numerosas heresias que surgiram nos inícios da Igreja. Desejado por Deus com a própria criação, reportado por Cristo à sua origem primitiva e elevado à dignidade de sacramento, o matrimônio é uma comunhão íntima de amor e de vida dos casados, intrinsecamente ordenada para o bem dos filhos que Deus queira confiar-lhes. Este vínculo natural, em vista do bem tanto dos cônjuges e filhos como da sociedade, já não depende do arbítrio da vontade humana.

A virtude da castidade conjugal « engloba a integridade da pessoa e a integralidade da doação »8 e nela, a sexualidade « torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando integrada na relação de pessoa a pessoa, no dom mútuo, por inteiro e temporalmente ilimitado, do homem e da mulher ». Esta virtude, enquanto se refere às relações íntimas dos esposos, requer que mantenham « num contexto de autêntico amor, o sentido da mútua doação e da procriação humana ».

Por isso, entre os princípios morais fundamentais da vida conjugal, é necessário recordar « a conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador ». Neste século, os Sumos Pontífices emitiram diferentes documentos repropondo as principais verdades morais sobre a castidade conjugal. Entre esses documentos, merecem uma menção especial a Encíclica Casti Connubii (1930) de Pio XI, numerosos discursos de Pio XII,13 a Encíclica Humanae Vitae (1968) de Paulo VI, a Exortação Apostólica Familiaris Consortio15 (1981), a Carta às Famílias Gratissimam Sane16 (1994) e a Encíclica Evangelium Vitae (1995) de João Paulo II. Juntamente com estes, são sempre recordados a Constituição Pastoral Gaudium et Spes17 (1965) e o Catecismo da Igreja Católica (1992). 

Além disso, em conformidade com estes ensinamentos, são também importantes alguns escritos tanto de Conferências Episcopais como de pastores e de teólogos que desenvolveram e aprofundaram a matéria. É, igualmente, bom recordar o exemplo dado por numerosos cônjuges cujo empenho por viver cristãmente o amor humano é um contributo muito eficaz para a nova evangelização das famílias. 

Os bens do matrimônio e o dom de si por meio do sacramento do Matrimônio, os esposos recebem de Cristo Redentor o dom da graça que confirma e eleva a comunhão de amor fiel e fecundo. A santidade para a qual são chamados é, antes de tudo, graça dada. As pessoas chamadas a viver no matrimônio realizam a sua vocação ao amor19 na plena doação de si que a linguagem do corpo exprime adequadamente.20 Da mútua entrega dos esposos resulta, como fruto específico, o dom da vida aos filhos, que são sinal e coroamento do amor esponsal.21 Opondo-se diretamente à transmissão da vida, a contracepção atraiçoa e falsifica o amor oblativo próprio da união matrimonial: « altera o valor da doação total »22 e contradiz o plano de amor de Deus participado aos esposos.

sábado, 28 de junho de 2014

Casamento para sempre no século 21: é possível?

Para fazer seu casamento durar, é preciso cuidar dos detalhes e protegê-lo.

Esta é uma experiência comum: nós nos casamos com entusiasmo, expectativas, planos... Mas, depois de alguns meses ou anos, tudo isso se desvanece, desaparece e se transforma em cansaço, hostilidade e abandono.
 
O que acontece? Casar-se e formar uma família não deveria ser uma experiência maravilhosa?
 
Sem dúvida, o século 21 os trouxe uma infinidade de transformações em muitos âmbitos: tecnológico, social, cultural, de valores... O casamento e a família também foram afetados por estas mudanças.
 
Diante desta situação, nós nos perguntamos: em pleno século 21, é possível ter um casamento e uma família felizes, comprometidos, agentes de transformação? É possível ter uma família que seja uma célula social que projete valores e ofereça à sociedade seres humanos íntegros, capazes de transformar o mundo?
 
Definitivamente, a resposta é afirmativa: sim, neste século é possível dar o “sim” para sempre, um “sim” que supõe compromisso, entrega e amor. Um “sim” capaz de transformar o amor de duas pessoas em um projeto comum que transcenda, que transforme e ofereça vida valiosa.
 
casamento do século 21 exige um compromisso decidido e valente, no qual o amor inteligente seja o motor de um plano de vida de duas pessoas únicas e singulares que, com toda a sua consciência e vontade, decidem unir suas vidas para realizar o projeto mais importante da sua existência.
 
Este grande projeto poderia ser comparado com a realização de uma grande obra de arte que é confiada aos dois. Juntos, eles decidem se comprometer, trabalhar e entregar o melhor de cada um nesta grande tarefa.
 
Para isso, cada um teve de escolher livremente e com grande inteligência e discernimento esse grande “sócio”, essa pessoa na qual confia, da qual conhece as habilidades, a entrega, a sabedoria, os talentos e, sobretudo, a capacidade de amar. Só assim se pode fazer com excelência a obra de arte mais interessante e importante da vida.
 
Esta obra de arte chamada “casamento”, aberta à vida, para posteriormente se transformar em família, é criada por cada casal, utilizando os talentos, qualidades, valores e virtudes de cada um.
 
Mas, se querem uma grande obra, precisam cuidar de todos os detalhes, desde a sua preparação: cuidando da matéria-prima – a tela –, daquilo que possa estragá-la, sujá-la, quebrá-la, enfim, de tudo aquilo que impeça de se tornar uma grande obra.
 
Cada casal realizará isso imprimindo seu próprio “selo” de autenticidade, cuidado, privacidade.
 
O que dizer das cores da obra? Estas serão também decisão e reflexo de cada casal. Os esposos poderão escolher aquelas cores que manifestam harmonia, luz, detalhes, alegria, compromisso, amor; e evitar aquelas cores que refletem tristeza, abandono do compromisso, infidelidade, apatia, falta de respeito, em suma, falta de amor.
 
Você se sente capaz de fazer uma grande obra de arte ou de restaurar a que você já começou há alguns anos?
 
Se você tem inteligência, vontade, decisão, amor, um(a) sócio(a) excelente e grande fé no amor de Deus, pode ter certeza de que é capaz!
 
(Artigo de Cecilia Elizondo, publicado originalmente em 
Desde la Fe)


O desagravo ao Imaculado Coração de Maria



A devoção dos Cinco Primeiros Sábados, em desagravo às ofensas contra o Imaculado Coração da Santíssima Virgem Maria, com a comunhão reparadora, está intimamente ligada à devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Na Aparição em Fátima, no dia 13 de Julho de 1917, Nossa Senhora pediu a reparação pelos pecados cometidos contra o seu Imaculado Coração. Em 10 de Dezembro de 1925, a Virgem Imaculada apareceu à Irmã Lúcia, em Pontevedra, na Espanha, e disse: "Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, procura consolar-me e diz que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no Primeiro Sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a sagrada comunhão, rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar".

A Virgem Maria apareceu a Irmã Lúcia e mostrou o seu Coração Imaculado rodeado de espinhos, que significam os nossos pecados. Nossa Senhora pediu que fizéssemos atos de reparação, de desagravo, para tirar esses espinhos de seu Coração, com a devoção reparadora dos Cinco Primeiros Sábados. Àqueles que viverem esta devoção, a Virgem Imaculada promete "todas as graças necessárias para a salvação". Nos dois anos seguintes, no dia 15 de Fevereiro de 1926 e no dia 17 de Dezembro de 1927, Jesus insiste com a Irmã para que se propague esta devoção. A respeito, Lúcia escreveu: "Da prática da devoção dos Primeiros Sábados, unida à consagração ao Imaculado Coração de Maria, depende a guerra ou a paz do mundo".

Em Maio de 1930, Padre José Bernardo Gonçalves (1894-1966) perguntou à Irmã Lúcia, de quem era confessor: "por que hão-de ser '5 sábados' e não 9 ou 7 em honra das dores de Nossa Senhora?"4 Estando na capela com Jesus na noite de 29 de Maio de 1930 (quinta-feira) – como era seu costume ter uma hora santa das onze à meia-noite, especialmente às quintas-feiras, segundo os pedidos do Sagrado Coração de Jesus à Santa Margarida Maria Alacoque – Lúcia falou a Nosso Senhor sobre a pergunta do Sacerdote e foi-lhe revelado o seguinte: "Minha filha, o motivo é simples: são 5 as espécies de ofensas e blasfêmias contra o Imaculado Coração de Maria:

1ª. – As blasfêmias contra a Imaculada Conceição.

2ª. – Contra a Sua virgindade.

3ª. – Contra a Maternidade Divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;

4ª. – Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo, e até o ódio para com esta Imaculada Mãe.

5ª. – Os que A ultrajam diretamente nas suas sagradas imagens".

Para nos beneficiar do privilégio dos Primeiros Sábados, segundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria revelado em Fátima, hás quatro condições:

1ª. A Confissão: para cada Primeiro Sábado, precisamos receber o Sacramento da Confissão, ou Penitência, com intenção reparadora. Podemos fazer a Confissão em qualquer dia, antes ou depois do Primeiro Sábado, desde que recebamos a Sagrada Comunhão em estado de graça. Se esquecermos de formar essa intenção reparadora, podemos formá-la na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tivermos para nos confessar.

"As outras três condições devem cumprir-se no próprio Primeiro Sábado, a não ser que algum sacerdote, por justos motivos, conceda que se possam fazer no domingo a seguir"6.

2ª. A Comunhão Reparadora.

3ª. O Terço.

4ª. A meditação, durante 15 minutos, de um só mistério, de vários ou de todos os mistérios do Rosário da Virgem Maria. Também vale a meditação ou explicação de 3 minutos antes de cada um dos 5 mistérios do Terço que rezarmos.

Em todas estas quatro práticas de devoção, devemos ter a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria, como nos foi pedido por Nossa Senhora e confirmado pelo Sagrado Coração de Jesus. Esta devoção dos Cinco Primeiros Sábados foi aprovada pelo Bispo de Leiria dia 13 de Setembro de 1939, em Fátima, e se espalhou por todo o mundo. Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, rogai por nós!

Ato de Consagração e Desagravo ao Imaculado Coração de Maria
"Virgem Santíssima e Mãe nossa querida, ao mostrardes o vosso Coração cercado de espinhos, símbolo das blasfêmias e ingratidões com que os homens ingratos pagam as finezas do vosso amor, pedistes que Vos consolássemos e desagravássemos. Ao ouvir as vossas amargas queixas, desejamos desagravar o vosso doloroso e Imaculado Coração que a maldade dos homens fere com os duros espinhos dos seus pecados.

Dum modo especial Vos queremos desagravar das injúrias sacrilegamente proferidas contra a vossa Conceição Imaculada e Santa Virgindade. Muitos, Senhora, negam que sejais Mãe de Deus e nem Vos querem aceitar como terna Mãe dos homens. Outros, não Vos podendo ultrajar diretamente, descarregam nas vossas sagradas imagens a sua cólera satânica. Nem faltam também aqueles que procuram infundir nos corações das crianças inocentes, indiferença, desprezo e até ódio contra Vós.

Virgem Santíssima, aqui prostrados aos vossos pés, nós Vos mostramos a pena que sentimos por todas estas ofensas e prometemos reparar com os nossos sacrifícios, comunhões e orações tantas ofensas destes vossos filhos ingratos. Reconhecendo que também nós, nem sempre correspondemos às vossas predileções, nem Vos honramos e amamos como Mãe, suplicamos para os nossos pecados misericordioso perdão. Para todos quantos são vossos filhos e particularmente para nós, que nos consagramos inteiramente ao vosso Coração Imaculado, seja-nos ele o refúgio durante a vida e o caminho que nos conduza até Deus. Assim seja".

Pão e circo




A Roma Antiga conheceu uma prática popularmente chamada de "Pão e Circo", que previa o provimento de comida e diversão ao povo, para diminuir a insatisfação popular com os governantes. É que o crescimento urbano trouxera também os problemas sociais. Muitas pessoas migraram para as cidades romanas, em busca de melhores condições de vida. A grande cidade conheceu então lutas de gladiadores nos estádios, onde também eram distribuídos os alimentos. 

Assim, muitos problemas eram esquecidos e diminuíam as chances de revolta. De lá para cá, diversão e alimento sempre entraram no menu das ofertas postas à disposição das massas em todo o mundo, ainda que mudem os tempos e as expressões com que as diversas culturas se manifestam.

Os espetáculos incluíram também a execução de tantos cristãos, homens e mulheres de todas as idades e condições sociais que derramaram seu sangue pelo nome de Jesus Cristo. Em Roma foi executado e sepultado, durante o reinado do imperador Nero, provavelmente no ano 64, o Apóstolo São Pedro. Sua execução foi um dos muitos martírios de cristãos na sequência do grande incêndio de Roma. Foi crucificado de cabeça para baixo, a seu próprio pedido, perto do Obelisco, no Circo de Nero.

A tradição dá conta de que o local em que foi sepultado se tornou muito cedo meta de visitas e peregrinações e corresponde à Basílica construída na era constantiniana. Depois de muitas vicissitudes históricas, foi no século XX que se intensificaram as escavações no subsolo da atual Basílica de São Pedro. O Papa Pio XII, no Ano Santo de 1950, anunciou os resultados dos trabalhos feitos até então. Em 1953, foi dada a público a notícia de uma inscrição em língua grega, que diz "Petrós Ení" - Pedro está aqui. Em 1968, o Papa Paulo VI anunciou que as relíquias de São Pedro tinham sido identificadas de uma forma convincente.

O que sobrou do Circo de Nero? O que permaneceu da memória de Simão, aquele que o Senhor fez Pedro - Pedra? De construções da época pode ter ficado o pouco ou o muito que as descobertas arqueológicas identificam, mas de Pedro ficou a força do martírio, a ousadia da pregação e a força para estabelecer a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Ao seu lado, igualmente martirizado, encontra-se Paulo, mestre e doutor das nações, anunciador do Evangelho da Salvação. 

Em 2009, Bento XVI anunciou os resultados positivos das pesquisas feitas na Basílica de São Paulo fora dos Muros, com a confirmação da localização do túmulo do Apóstolo Paulo. São ajudas oferecidas pela ciência para confirmar que não foram mentes desvairadas que estabeleceram os fundamentos da vida da Igreja. Entretanto, permaneceu o mais importante, a transmissão coerente da fé. A herança recebida dos Apóstolos permanece viva e se transforma a cada dia em testemunho, para que a Boa Nova do Evangelho continue a ser anunciada.

O que permaneceu, perguntamos de novo, da herança deixada pelos Apóstolos? Ao celebrar a Solenidade de duas colunas da Igreja, colhemos a oportunidade para identificar o que a Igreja pode oferecer, já que não lhe cabe repetir as propostas de pão e circo. Mesmo quando eventos esportivos, como a Copa do Mundo de Futebol, ocupam o tempo dos Meios de Comunicação, arrebatam multidões e mexem com nosso brio brasileiro que se emociona de gol a gol, a Igreja sabe que deve oferecer mais e que lhe cabe fazer a diferença, num sadio espírito crítico, que ofereça caminhos de reflexão para as pessoas e comunidades.

Basta lembrar a encantadora mensagem do Papa Francisco, por ocasião da abertura da Copa do Mundo: "Quero sublinhar três lições da prática esportiva, três atitudes essenciais para a causa da paz: a necessidade de treinar, o 'fair play' e a honra entre os competidores. Em primeiro lugar, o esporte ensina-nos que, para vencer, é preciso treinar. Podemos ver, nesta prática esportiva, uma metáfora da nossa vida. Na vida, é preciso lutar, treinar, esforçar-se para obter resultados importantes. O espírito esportivo torna-se, assim, uma imagem dos sacrifícios necessários para crescer nas virtudes que constroem o caráter de uma pessoa. 

Se, para uma pessoa melhorar, é preciso um treino grande e continuado, quanto mais esforço deverá ser investido para alcançar o encontro e a paz entre os indivíduos e entre os povos! É preciso treinar tanto! O futebol pode e deve ser uma escola para a construção de uma cultura do encontro, que permita a paz e a harmonia entre os povos. E aqui vem em nossa ajuda uma segunda lição da prática esportiva: aprendamos o que o 'fair play' do futebol tem a nos ensinar. Para jogar em equipe é necessário pensar, em primeiro lugar, no bem do grupo, não em si mesmo. Para vencer, é preciso superar o individualismo, o egoísmo, todas as formas de racismo, de intolerância e de instrumentalização da pessoa humana.

Não é só no futebol que ser 'fominha' constitui um obstáculo para o bom resultado do time; pois, quando somos fominhas na vida, ignorando as pessoas que nos rodeiam, toda a sociedade fica prejudicada. A última lição do esporte proveitosa para a paz é a honra devida entre os competidores. O segredo da vitória, no campo, mas também na vida, está em saber respeitar o companheiro do meu time, mas também o meu adversário. Ninguém vence sozinho, nem no campo, nem na vida! Que ninguém se isole e se sinta excluído! Atenção! Não à segregação, não ao racismo!

E, se é verdade que, ao término deste Mundial, somente uma seleção nacional poderá levantar a taça como vencedora, aprendendo as lições que o esporte nos ensina, todos vão sair vencedores, fortalecendo os laços que nos unem". O Papa parece um técnico do grande jogo da aventura humana, salientando aspectos fundamentais na estratégia da vitória que Deus quer para todos! À Igreja cabe tomar consciência dos sinais dos tempos, identificar os apelos de Deus através de um discernimento cuidadoso e trabalhar para que todos vivam num contínuo processo de conversão e mudança sincera de vida.

O sucessor de Pedro de nosso tempo, Bispo de Roma e Papa Francisco, tem mostrado, para alegria de todos os cristãos, os rumos a serem seguidos para que não sejamos apenas artistas de um espetáculo esportivo com hora marcada para se encerrar, ou mesmo pessoas interessadas apenas no alimento ou no consumo desenfreado dos bens materiais, mas homens e mulheres que descobrem o sentido de sua vida no amor e na alegria da misericórdia que se espalhe, para curar o mundo ferido e cansado.

É uma forma diferente de celebrar o dia do Papa, neste final de semana. O mundo tem descoberto que Papa Francisco se revela a cada dia como uma figura eclesial e humana de porte inigualável, digno da herança de todos os seus antecessores, de Pedro a Bento XVI, passando por uma imensa galeria de homens escolhidos a dedo pela Providência Divina, que respeita as mediações humanas, mas se faz presente e toma a palavra nos momentos mais decisivos. Seus gestos e palavras têm edificado as pessoas e grupos que acorrem de todas as formas à profundidade de seus ensinamentos. O mundo já o reconhece como voz abalizada diante de todos os poderes existentes na sociedade, ainda que se faça sempre tão simples e aberto ao contato com todos. Deus seja louvado pelo seu ministério e seu testemunho!

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará (PA)

Rezar pelas famílias!





Dentro da oitava do Natal, a Igreja nos convida a celebrar a Solenidade da Sagrada Família.
Contemplando a família sagrada de Nazaré: Jesus, Maria e José somos convidados a refletir sobre a importância da família na constituição da sociedade.

O Papa Bento XVI, em seu tradicional discurso anual para a Cúria Romana, se manifestou: "A grande alegria, com que se encontraram em Milão famílias vindas de todo o mundo, mostrou que a família, não obstante as múltiplas impressões em contrário, está forte e viva também hoje; mas é incontestável – especialmente no mundo ocidental – a crise que a ameaça até nas suas próprias bases. Impressionou-me que se tenha repetidamente sublinhado, no Sínodo, a importância da família como lugar autêntico onde se transmitem as formas fundamentais de ser pessoa humana. É vivendo-as e sofrendo-as, juntos, que as mesmas se aprendem. Assim se tornou evidente que, na questão da família, não está em jogo meramente uma determinada forma social, mas o próprio homem: está em questão o que é o homem e o que é preciso fazer para ser justamente homem. 

Os desafios, neste contexto, são complexos. Há, antes de mais nada, a questão da capacidade que o homem tem de se vincular ou então da sua falta de vínculos. Pode o homem vincular-se para toda a vida? Isto está de acordo com a sua natureza? Ou não estará porventura em contraste com a sua liberdade e com a auto-realização em toda a sua amplitude? Será que o ser humano se torna-se ele próprio, permanecendo autônomo e entrando em contacto com o outro apenas através de relações que pode interromper a qualquer momento? Um vínculo por toda a vida está em contraste com a liberdade? Vale a pena também sofrer por um vínculo? 

A recusa do vínculo humano, que se vai generalizando cada vez mais por causa duma noção errada de liberdade e de auto-realização e ainda devido à fuga da perspectiva duma paciente suportação do sofrimento, significa que o homem permanece fechado em si mesmo e, em última análise, conserva o próprio «eu» para si mesmo, não o supera verdadeiramente. Mas, só no dom de si é que o homem se alcança a si mesmo, e só abrindo-se ao outro, aos outros, aos filhos, à família, só deixando-se plasmar pelo sofrimento é que ele descobre a grandeza de ser pessoa humana. Com a recusa de tal vínculo, desaparecem também as figuras fundamentais da existência humana: o pai, a mãe, o filho; caem dimensões essenciais da experiência de ser pessoa humana".

No domingo da Sagrada Família refletimos o Evangelho em que narra o episódio da perda e encontro do Menino Jesus no templo de Jerusalém. A Maria e José que lhe pedem explicações, quando o reencontram após três dias de busca ansiosa, Jesus responde que não se devem surpreender, porque aquele é o seu lugar, a sua casa, junto do Pai, que é Deus. A preocupação de Maria e José por Jesus é a mesma de todos os pais que educam um filho, introduzindo-o na vida e na compreensão da realidade. 

Assim, como os pais de Jesus, é portanto um dever rezar hoje especialmente ao Senhor por todas as famílias do mundo.

Que nossos pais tenham a coragem de educar os seus filhos para que se formem verdadeiros cidadãos honestos, sem nunca esquecer que a fé é um dom precioso a alimentar nos próprios filhos também com o exemplo pessoal. Junto com o Papa, fazemos nosso apelo para que todos possamos rezar, também, para que cada criança seja acolhida como dom de Deus, apoiado pelo amor do pai e da mãe, para poderem crescer como o Senhor Jesus, em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens. Que nossas famílias pautem o seu vínculo conjugal pela fidelidade, pelo amor, pela oração e pela efetiva participação de suas famílias na ação pastoral da Igreja, conforme nos pede o Senhor Jesus.





Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO 

ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Maria Mãe da Igreja

A Igreja sempre venerou Maria como sua mãe. Mesmo porque há uma razão lógica: ela é a Mãe de Jesus, cabeça da Igreja e a Igreja é o corpo místico de Cristo, princípio e primogênito de todas as criaturas celestes e terrestres (Ef 1,18). Por isso mesmo, Maria é a mãe de todos os que nasceram pelo Cristo, tornaram-se irmão de Cristo e em Cristo, e são herdeiros de sua graça, sua vida e sua glória.
Foi, porém, em pleno Concílio Ecumênico Vaticano II, no dia 21 de novembro de 1964, que o Papa Paulo VI deu solenemente a Maria o título de "Mãe da Igreja". Os Bispos do mundo inteiro acabavam de assinar a Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja, e o Papa acabara de promulgar, em sessão pública, o novo documento, que implantaria os rumos futuros da eclesiologia e da prática pastoral. Diferentemente do que se pensara na fase preparatória do Concílio, os Padres Conciliares não fizeram um documento especial sobre o papel de Maria na história da salvação, mas inseriram a doutrina mariana, a pessoa de Maria e sua função como co-redentora, no próprio documento sobre a Igreja, ressaltando a Mãe de Jesus como membro, tipo e modelo da Igreja.

Maria é vista conexa ao mistério trinitário, em sua dimensão cristológica, pneumatológica (Espírito Santo) e eclesiológica. Logo no início do capítulo VIII da Lumen Gentium, intitulado "A Bem-Aventurada Virgem Maria Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja", marca-se toda a linha de doutrina: "A Virgem Maria, que na Anunciação do Anjo recebeu o Verbo de Deus no coração e no corpo e trouxe ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime e unida a ele por um vínculo estreito e indissolúvel, é dotada com a missão sublime e a dignidade de ser a Mãe do Filho de Deus, e por isso filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo. Por esse dom de graça exímia supera de muito todas as outras criaturas celestes e terrestres. Mas, ao mesmo tempo, está unida, na estirpe de Adão, com todos os homens a serem salvos. Mais ainda: é verdadeiramente a mãe dos membros (de Cristo), porque cooperou pela caridade para que, na Igreja, nascessem os fiéis que são membros desta Cabeça. Por causa disso, é saudada também como membro supereminente e de todo singular da Igreja, como seu tipo e modelo excelente na fé e caridade. E a Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo, honra-a com afeto de piedade filial como mãe amantíssima" (n. 53). Este parágrafo contém os pontos desenvolvidos nessa parte do documento.

Reconheceu o Papa Paulo VI naquele discurso de encerramento da terceira sessão do Concílio que era a primeira vez que um Concílio Ecumênico apresentava síntese tão vasta da doutrina católica acerca do lugar que Maria Santíssima ocupa no mistério de Cristo e da Igreja. E, emocionado, afirmou que queria consagrar à Virgem Mãe um título que sintetizasse o lugar privilegiado de Maria na Igreja. E declarou: "Para a glória da Virgem e para o nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo de Deus, tanto dos fiéis quanto dos pastores, que a chamam de Mãe amorosíssima. E queremos que, com este título suavíssimo, seja a Virgem doravante ainda mais honrada e invocada por todo o povo cristão". Alguns anos mais tarde, no dia 15 de março de 1980, o título foi acrescentado à Ladainha lauretana, logo depois da invocação "Mãe de Jesus Cristo".

No mesmo solene discurso, Paulo VI lembrou que o título não era novo para a piedade dos cristãos, porque desde os primórdios do Cristianismo Maria foi amada como mãe e o povo sempre recorreu a ela como um filho recorre à mãe. E argumentou: "Efetivamente, assim como a maternidade divina é o fundamento da especial relação de Maria com Cristo e da sua presença na economia da salvação, operada por Cristo Jesus, assim também constitui essa maternidade o fundamento principal das relações de Maria com a Igreja, sendo ela Mãe daquele que, desde o primeiro instante de sua encarnação, uniu a si, como cabeça, o seu corpo místico, que é a Igreja".

Cito mais um trecho do discurso do Papa em que fala de Maria, imaculada, sim, mas ligada a nós pecadores por laços estreitíssimos: "Embora na riqueza das admiráveis prerrogativas, com que Deus a ornou para fazê-la digna Mãe do Verbo Encarnado, está ela pertíssimo de nós. Filha de Adão como nós e por isso nossa irmã por laços de natureza, ela é a criatura preservada do pecado original em vista dos méritos do Salvador; aos privilégios obtidos, junta a virtude pessoal de uma fé total e exemplar... Nela, toda a Igreja, na sua incomparável variedade de vida e de obras, acha a forma mais autêntica da perfeita imitação de Cristo".

Ninguém, que chega à Praça São Pedro, em Roma, deixa de se impressionar com a imensa colunata de Bernini, construída em mármore e pedra, como um grande, afetuoso e festivo abraço de acolhimento aos peregrinos. Por cima da colunata, 140 estátuas de tamanho natural, de santos e santas nascidos nas mais diferentes camadas sociais, representam visivelmente a comunhão dos santos, que não é coisa do passado ou apenas do céu, mas a família viva que se une aos cristãos que entram na Basílica. Ora, Nossa Senhora não figura entre os santos da colunata.

O Papa João Paulo II, em 1981, mandou colocar na parte externa e alta da Secretaria de Estado, que olha para a Praça de São Pedro, a imagem de Maria Mãe da Igreja. Todos a vêem de qualquer ponto da Praça. Trata-se de uma cópia feita em mosaico da conhecida como Nossa Senhora da Coluna. Assim chamada, porque seu original estava pintado numa coluna de mármore da primitiva basílica de São Pedro. Quando essa foi destruída, em 1607, para dar lugar à grande Basílica como a temos hoje, a parte da coluna com a imagem foi posta, na nova igreja, sobre o altar que abriga as relíquias de três papas, os três com o nome de Leão (II, III e IV), onde está até hoje. Dessa pintura, de autor anônimo, foi feito o mosaico que agora domina discretamente a Praça. Vestida de azul celeste, Maria tem nos braços, em gesto de oferecimento ao povo, o Menino que, sorridente, abençoa com a mão direita, à moda grega. Ambos, Mãe e Filho, olham para longe, como que contemplando a Praça, a Cidade e o mundo, derramando sobre todos um olhar de inefável bondade, trazendo à memória a parte final da Lumen Gentium, onde Maria é considerada sinal de segura esperança e de conforto ao povo de Deus em peregrinação (n. 68).
Sob a imagem, em grandes letras de bronze, legíveis da Praça, está escrito: "Mater Ecclesiæ" (Mãe da Igreja).

Paulo VI, que dera a Maria o título oficial de "Mãe da Igreja", desenvolveu o tema na Exortação Apostólica sobre o Culto à Virgem Maria, um dos documentos mais bonitos de seu pontificado. O Papa apresenta, através das festas marianas do calendário litúrgico, Maria como modelo da Igreja, e pede que suas considerações de ordem bíblica, litúrgica, ecumênica e antropológica sejam levadas em conta na orientação da piedade popular e na elaboração das novas orações marianas (n. 29). O Papa fala de Maria como modelo de quem sabe ouvir e acolher a Palavra de Deus com fé. Esta é uma missão específica da Igreja: escutar, acolher, proclamar, venerar e distribuir a Palavra de Deus como pão de vida (n. 17). Fala de Maria como modelo de pessoa orante e intercessora. Ora, a Igreja todos os dias apresenta ao Pai as necessidades de seus filhos, louva sem cessar o Senhor e intercede pela salvação do mundo (n. 18). Fala de Maria Virgem e Mãe, modelo da fecundidade da virgem-Igreja, que se torna mãe, porque, pelo batismo, gera os filhos concebidos pela ação do Espírito Santo (n. 19). Fala de Maria, que oferece ao Pai o Verbo encarnado, sobretudo aos pés da Cruz, onde ela se associou como mãe ao sacrifício redentor do filho. Diariamente a Igreja oferece o sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição de Jesus (n. 20).

Quando falamos de Maria como modelo, há o perigo de vê-la longínqua, ou ao menos fora de nós, como vemos os nossos heróis. Na verdade, Maria é parte essencial da Igreja. Podemos dizer que a Igreja está dentro de Maria e Maria está dentro da Igreja. Essa verdade foi acentuada, sobretudo, pelo Papa João Paulo II na encíclica Redemptoris Mater, que leva o sugestivo título: A Bem-aventurada Virgem Maria na vida da Igreja que está a caminho: "Existe uma correspondência singular entre o momento da Encarnação do Verbo e o momento do nascimento da Igreja. E a pessoa que une esses dois momentos é Maria: Maria em Nazaré e Maria no Cenáculo de Jerusalém" (n. 24). Depois de acentuar Maria no centro da vida da Igreja, conclui o Papa: "A Virgem Maria está constantemente presente na caminhada de fé do Povo de Deus" (n. 35). "A Igreja mantém em toda a sua vida, uma ligação com a Mãe de Deus que abraça, no mistério salvífico, o passado, o presente e o futuro; e venera-a como Mãe da humanidade" (n. 47). 

Por Frei Clarêncio Neotti, O.F.M 
www.franciscanos.org.br

Conflitos com a própria família



a) Para ler: Colossenses 2, 18 - 21 e Efésios 5, 21 - 6, 4

b) Para conversar
1. 
Porque acontecem brigas na família?

2. Você já teve vontade de abandonar sua casa?

3. Por que os pais de seus colegas parecem melhores que os seus?

c) Para saber
Os conflitos e brigas na família acontecem por vários motivos. É difícil enumerar todos, porém poderíamos sintetizá-los.

Desse modo é preciso ressaltar a falta de diálogo entre pais e e filhos. Os pais tiveram um tipo de educação diferente dos filhos e não percebem que seus filhos hoje vivem num outro mundo. Muitas vezes forçam-nos os filhos a viver segundo um estilo de vida que não mais existe.

Por exemplo muitos pais viveram até os 20 anos de idade sem conhecer a televisão: apenas conheciam o rádio. Quando a TVapareceu, era somente em preto e branco; a colorida apareceu no final da década de 70. As ciranças e jovens atuais já nasceram num mundo de TV em cores, videogame, computadores etc. Eles não fazem idéia de como é viver num mundo sem isso. Os pais muitas vezes não pensam nessa situação: educam seus filhos esquecendo-se que eles nunca participaram daquele mundo mais antigo.

Por outro lado, os jovens de hoje precisam aprender também que esse ponto de vista e ter mais paciência com seus pais. No tempo mais antigo, a autoridade dos pais valia muito mais que hoje em dia.

Infelizmente muitos valores, ou seja, muitos bons costumes estão sendo esquecidos ou deixados de lado pelos jovens, o que deixa os pais aflitos. Como por exemplo, posso lembrar os vícios: cigarro, sexo desenfreado, drogas, álcool e outros.

Se os pais quiserem conquistar seus filhos, precisam convencê-los pelo diálogo, pela conversa franca e honesta. Precisam levá-los a obedecer não por medo (isso não funciona mais), mas por concluírem que de outra forma não terão um futuro feliz.

d) Para viver

Procure dialogar com seus pais. Não lhes responda com aspereza; ao contrário mostre que você quer ser alguém na vida e precisa de orientação. Se o que eles pedem está fora do tempo e do espaço, faça-os veer isso com jeito e delicadeza. Se for necessário, peça aos pais de um de seus colegas falarem com eles.

E mais: fugir de casa não vai resolver seus problemas. Se você estiver com vontade de fazer uma experiência de viver longe de seus pais, fale com eles. Pode ser que eles o entendam e mudem o modo de pensar. Jovem antes de tomar qualquer atitude precipitada procure conversar com alguém de sua família em quem você confia muito, ou até mesmo um amigo(a), um padre, não decida nada sozinho.

e) Para fazer

Converse com seus colegas e pergunte-lhes quais são as dificuldades que eles encontram na vivência familiar.

f) Para rezar
Rezem de mãos dadas a oração do Pai-Nosso

Os meios de comunicação


a) Para ler: Mateus 10, 26 - 27

b) Para conversar
1. 
Você assisti muito a TV? De que mais gosta?

2. O que você acha desses programas?

3. Você lê algum jornal? Qual?

c) Para saber
Os meios de comunicação social são todos aqueles veículos que nos transmitem os fatos, os acontecimentos, o lazer, a cultura, como TV, jornais, revistas, rádio, cinema, outdoors, telefone, fax, computadores (internet) etc.

Esses veículos despejam em nossas vidas um número ilimitado de informações, tanto boas como más. Cabe ao cristão saber selecionar, mediante senso crítico da lição anterior, todas essas informações e ficar apenas com as que produzem efeito positivo em nossas vidas.

Há poucos programas realmente bons na TV e precisamos tomar mais cuidado com o que vemos. Desde novelas até programas de auditório e desenhos animados, tudo deve ser devidamente selecionado.

Um inocente desenho animado pode estar transmitindo-nos a violência, como acontece na maioria dos desenhos, a falta de misericórdia e da caridade para com as pessoas, o consumismo, doutrinas espirituais contrárias à da Igreja Católica (a reencarnação, por exemplo), e mesmo uma pregação política sobre sistemas de governo que não são tão perfeitos como são mostrados nesses filmes.

O mesmo se diga das novelas: mostram tantas coisas falsas como se fossem verdadeiras: como enganar os outros, falsidade, vingança, amor livre, adultério, reencarnação (doutrina condenada pela Igreja), homossexualismo (como se fosse uma pura e simples opção de vida), o consumismo, o famoso, "ser é ter", ou seja, mostra o dinheiro como fonte de felicidade, mostra uma falsa visão do que significa a beleza etc.

É preciso saber definir o que nos serve ou não. Os jornais, por exemplo, sempre nos apresentam as notícias já modificadas pela tendência do jornal. Uma notícia veiculada por um determinado jornal, por exemplo, vai ter um sentido e enfoque bem diferente se for apresentada por um outro jornal ou um terceiro enfoque se for apresentada por um terceiro jornal etc.

Os meios de comunicação devem ser vistos e usados. Por exemplo, os jornalzinhos paroquias podem transmitir muitas coisas boas! Podem ter a sua colaboração. Entretanto, deve haver muito critério no aproveitamento daquilo que vemos e ouvimos. Caso contrário, vamos ser um "João Bobo" nas mãos da imprensa e da TV.

d) Para viver

Procure viver independentemente das propagandas da TV. Escolha um produto não porque você o viu na TV, mas porque sabe que realmente é melhor, ou pelo menos porque é mais barato e faz o mesmo efeito que o mais caro. Acostume-se a ler aquelas letrinhas pequenas que mostram os ingredientes usados no produto.

e) Para fazer

Combine com os demais e faça um jornalzinho mural na sua sala ou mesmo num local da igreja (se for na igreja, não esqueça de pedir ao padre).

f) Para rezar
Reze o Credo: "Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria , padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu a mansão dos mortos, ressucitou ao terceiro dia, subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e mortos. Creio no Espírito Santo. Na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém."
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